A MULHER E O CÁRCERE: CAMPO FÉRTIL PARA A JUSTIÇA RESTAURATIVA E A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE DAS MULHERES

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30612

Palavras-chave:

Encarceramento feminino. Justiça Restaurativa. Direitos da personalidade.

Resumo

O encarceramento feminino no Brasil constitui uma dimensão crítica da crise penitenciária contemporânea, marcada pela reprodução de assimetrias de gênero e pela violação sistemática dos direitos da personalidade das mulheres privadas de liberdade. Este estudo objetiva analisar a aplicabilidade da Justiça Restaurativa no ambiente carcerário feminino como instrumento autocompositivo capaz de promover a dignidade humana, a integridade psíquica, a identidade materna e a reinserção social. Adota-se abordagem qualitativa, orientada pelo método hipotético-dedutivo, com revisão bibliográfica em Criminologia Crítica e análise documental da legislação nacional, de diplomas internacionais, de precedentes do Supremo Tribunal Federal, de resoluções do Conselho Nacional de Justiça e de dados oficiais do SISDEPEN de 2024. Os resultados indicam que parcela expressiva das mulheres encarceradas cumpre pena por delitos relacionados ao tráfico de drogas, em contextos de acentuada vulnerabilidade socioeconômica e de feminização da pobreza. O modelo penal retributivo mostra-se insuficiente para enfrentar as dimensões relacionais e sociais do encarceramento. Examina-se a experiência belga de institucionalização da mediação penal e discutem-se os Círculos de Construção de Paz como instrumentos possíveis de enfrentamento do androcentrismo institucional. Conclui-se que as práticas restaurativas, desde que acompanhadas de salvaguardas éticas contra assimetrias de poder, podem contribuir para a tutela dos direitos da personalidade e para a recomposição dos vínculos sociais.

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Biografia do Autor

Ana Nerry Miotto Cecilio, Unicesumar

Doutoranda em Direito pela Unicesumar – bolsista CAPES, com enfoque na linha de estudos sobre os instrumentos de efetivação dos Direitos da Personalidade, sob orientação da Prof. Dra. Andrea Lago. Mestrado em Ciências Jurídicas pela Unicesumar – bolsista PROSUP/CAPES; Professora de Direito Constitucional e Direito Administrativo na Faculdade Direito e Negócios. 

Andréa Carla de Moraes Pereira Lago, Unicesumar

Pós-doutora em Democracia e Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra (PT); Doutorado em Ciências Jurídicas pela Universidade do Minho (PT); Mestrado em Ciências Jurídicas pela Unicesumar; Coordenadora e Professora Permanente do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências Jurídicas da Unicesumar. 

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Publicado

2026-09-18

Como Citar

Cecilio, A. N. M., & Lago, A. C. de M. P. (2026). A MULHER E O CÁRCERE: CAMPO FÉRTIL PARA A JUSTIÇA RESTAURATIVA E A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE DAS MULHERES. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(9), 1–17. https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30612