“EU DEIXEI DE SER EU, MULHER”: VIVÊNCIAS DA MATERNIDADE ATÍPICA E DO TRABALHO DE CUIDADO FEMININO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30359Palavras-chave:
Mães. Transtornos do neurodesenvolvimento. Atenção Primária à Saúde. Sobrecarga do cuidador. Equidade de gênero.Resumo
Este estudo teve como objetivo compreender as vivências e as experiências relacionadas à iniquidade de gênero de mulheres-mães no cuidado de crianças com transtorno do neurodesenvolvimento que utilizam os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Fortaleza, Ceará. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo exploratória, realizada em uma capital do Nordeste do Brasil, no território de uma Unidade de Atenção Primária à Saúde, tendo como lócus uma escola pública municipal. Participaram dez mulheres-mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista e/ou Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e a Análise de Conteúdo Temática. Os resultados evidenciam intensa sobrecarga física, emocional e social, fragilidade das redes institucionais, precarização das condições de vida e aprofundamento de iniquidades de gênero, agravadas pela vulnerabilidade socioeconômica. Conclui-se que a maternidade atípica constitui um problema relevante de saúde pública, demandando políticas intersetoriais que reconheçam o cuidado como responsabilidade coletiva e promovam equidade de gênero e justiça social.
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