SOBRECARGA FEMININA NO CUIDADO INFANTIL NA APS: EVIDÊNCIAS DA DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30500Palavras-chave:
Saúde da criança, Atenção Primária à Saúde, Gênero e saúdeResumo
Este estudo analisou como a divisão sexual do trabalho se expressa na organização do cuidado infantil na Atenção Primária à Saúde, com foco na sobrecarga feminina e sua relação com o conhecimento em saúde e o absenteísmo em consultas de puericultura. Trata-se de estudo observacional, transversal, de abordagem mista, realizado com 311 responsáveis por crianças de até dois anos em unidades de saúde de Uberlândia (MG). Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, com análise estatística descritiva e inferencial (qui-quadrado) e análise qualitativa dos relatos. Observou-se predominância feminina no acompanhamento infantil (90%), com associação significativa entre gênero e escolaridade (p=0,003), bem como entre gênero e conhecimento sobre puericultura e absenteísmo (p<0,05). As mulheres apresentaram maior envolvimento no cuidado e maior domínio de informações em saúde, porém associado à sobrecarga da dupla jornada. Relatos evidenciaram impacto na organização do tempo e na adesão às consultas. Conclui-se que o cuidado infantil permanece feminizado e que o absenteísmo constitui fenômeno socialmente estruturado, relacionado às desigualdades de gênero. Destaca-se a necessidade de políticas de corresponsabilização parental e estratégias educativas na Atenção Primária.
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