DELIRIUM PÓS-OPERATÓRIO NO IDOSO: FATORES DE RISCO, PREVENÇÃO E PROGNÓSTICO — REVISÃO NARRATIVA CRÍTICA COM GRADUAÇÃO DA EVIDÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29367Palavras-chave:
Delírio. Complicações pós-operatórias. Idoso. Assistência perioperatória. Prognóstico.Resumo
Introdução: o delirium pós-operatório é uma complicação neurocognitiva frequente em pessoas idosas e permanece subdiagnosticado, especialmente na apresentação hipoativa. Objetivo: analisar criticamente fatores de risco, estratégias preventivas e repercussões prognósticas, distinguindo evidência clínica direta, evidência indireta ou extrapolada e inferência fisiopatológica. Método: revisão narrativa crítica orientada pela SANRA, com atualização bibliográfica dirigida em PubMed/MEDLINE, Cochrane Library, SciELO e LILACS em julho de 2026, complementada por rastreamento de referências e consulta a diretrizes e documentos oficiais; o Google Scholar foi utilizado apenas como ferramenta complementar. O corpus final reuniu 59 fontes: 13 ensaios clínicos randomizados, 1 estudo controlado não randomizado, 9 revisões sistemáticas ou metanálises, 17 estudos observacionais ou diagnósticos e 19 diretrizes, documentos oficiais, consensos ou revisões conceituais. Resultados: a vulnerabilidade cognitiva basal, a fragilidade e exposições perioperatórias potencialmente modificáveis interagem de maneira cumulativa. Intervenções multicomponentes não farmacológicas apresentam o suporte mais consistente, com redução de incidência em sínteses quantitativas de certeza moderada. Dexmedetomidina, cetamina, corticosteroides e antipsicóticos não sustentam profilaxia universal; a escolha entre anestesia regional e geral não modifica de forma relevante o risco. A monitorização eletroencefalográfica pode auxiliar a evitar anestesia excessivamente profunda, mas a prevenção de delirium permanece incerta diante de ensaios discordantes e metanálises heterogêneas. Delirium associa-se a mortalidade, institucionalização e declínio cognitivo, sem resolução definitiva da relação causal. Conclusão: prevenção estruturada, rastreamento seriado e correção precoce de precipitantes constituem o núcleo da prática baseada em evidências. A principal lacuna brasileira é a ausência de dados multicêntricos e de estudos de implementação capazes de medir a adesão aos protocolos.
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