LAZER, RAÇA E COLONIALIDADE NO CÁRCERE BRASILEIRO: INVISIBILIZAÇÃO CULTURAL E O NÃO CUMPRIMENTO DAS LEIS 10.639/2003 E 11.645/2008

Autores

  • Walesson Gomes da Silva UFPA https://orcid.org/0000-0002-0263-7318
  • Valdir Assis Cruz UFMG
  • Victor Arthur Ladeira Gomes UFPA
  • Ana Karina Ladeira Gomes UFMG
  • Ana Paula Ferreira Pedroso UEMG
  • Robson Figueiredo Carlos UFMG

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28559

Palavras-chave:

Sistema prisional. Lazer. Colonialidade. Raça. Educação em direitos humanos.

Resumo

Este artigo analisa o lazer no sistema prisional brasileiro como um dispositivo atravessado por relações de poder, raça e colonialidade, com ênfase em unidades organizadas segundo o modelo da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). Por meio da análise do discurso de produções acadêmicas sobre o modelo APAC, o estudo investiga como as práticas de lazer são institucionalmente reguladas e de que modo essa regulação incide sobre a expressão cultural dos sujeitos privados de liberdade, majoritariamente negros e oriundos de contextos vulnerabilizados. O referencial teórico articula contribuições da teoria crítica, dos estudos decoloniais e da educação das relações étnico-raciais, em diálogo com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, incorporando críticas ao discurso da reintegração social e às hierarquias epistêmicas que deslegitimam saberes construídos na experiência, no corpo e na coletividade. Os resultados evidenciam que o lazer, longe de constituir espaço de autonomia, é instrumentalizado como mecanismo disciplinar e organizado a partir de uma lógica que privilegia repertórios culturais hegemônicos, especialmente de matriz eurocristã, em detrimento de práticas afro-brasileiras e indígenas. Tal dinâmica revela a atuação de um controle simbólico que reproduz desigualdades raciais e epistemológicas e sustenta uma pedagogia da invisibilidade. Conclui-se que a ausência de políticas institucionais voltadas à valorização da diversidade cultural evidencia a não efetivação das legislações vigentes e aponta para a necessidade de reconfiguração dessas práticas à luz de uma perspectiva intercultural, decolonial e orientada pela Educação em Direitos Humanos, entendida como horizonte de transformação social no contexto prisional.

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Biografia do Autor

  • Walesson Gomes da Silva, UFPA

    Docente do Programa de Pós-graduação em Segurança Pública, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear CNPq/UEMG.

  • Valdir Assis Cruz, UFMG

    Doutorando e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos do Lazer (UFMG). Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear CNPq/UEMG.  

  • Victor Arthur Ladeira Gomes, UFPA

    Mestrando em Segurança Pública pelo Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Especialista em Segurança Pública e Inteligência. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear CNPq/UEMG. 

  • Ana Karina Ladeira Gomes, UFMG

    Mestra em Educação e Docência (UFMG). Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear CNPq/UEMG.  

  • Ana Paula Ferreira Pedroso, UEMG

    Docente do Programa de Pós-graduação em Educação e Docência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG. Vice-Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear CNPq/UEMG.

  • Robson Figueiredo Carlos, UFMG

    Mestrando em Educação e Docência pelo Mestrado Profissional (PROMESTRE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  Policial Civil do Estado de Minas Gerais. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear. CNPq/UEMG. 

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Publicado

2026-07-02

Como Citar

Silva, W. G. da, Cruz, V. A., Gomes, V. A. L., Gomes, A. K. L., Pedroso, A. P. F., & Carlos, R. F. (2026). LAZER, RAÇA E COLONIALIDADE NO CÁRCERE BRASILEIRO: INVISIBILIZAÇÃO CULTURAL E O NÃO CUMPRIMENTO DAS LEIS 10.639/2003 E 11.645/2008. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 12(7), 1-17. https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28559

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