A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.27895Palavras-chave:
Família. Criança e Escola. Educação Infantil. Processo de Aprendizagem. Relação Família e Escola.Resumo
O trabalho em si faz parte do recorte de uma pesquisa de Mestrado em Ciências da Educação pela Universidad Del Sol – (UNADES/PY). Objetiva analisar como acontece a relação entre família e escola numa instituição de Educação Infantil no município de Brejo da Madre de Deus – PE. Por sua vez, identificar a importância da parceria entre família e escola no processo de aprendizagem da criança; conhecer o papel que a família exerce dentro do âmbito escolar; ou seja, identificando estratégias de aproximação entre escola e família; bem como, investigar possíveis prejuízos causados pela não participação da família na escola, estão entre os objetivos secundários. A pergunta central é: Como ocorre a relação entre a família e a escola numa creche situada na cidade de Brejo da Madre Deus? Ainda assim, outras questões centrais foram eleitas: Que formas de comunicação existem entre a escola e as famílias da creche municipal e como elas influenciam a relação entre as duas? Como as famílias percebem o papel da escola no desenvolvimento educacional e social de seus filhos nesse contexto? Quais os principais obstáculos que as famílias e as escolas enfrentam para manter uma colaboração eficaz?
Para alcançar esse enfoque a metodologia escolhida é a de cunho qualitativa por abordagem permeada em leitura (pesquisa bibliográfica) dentre os autores como: Carvalho & Almeida (2006); Campos (2005); Giddens (2012); Parolin (2007); Paro (2007); Pereira (2008), Piaget (1973); Sisto (2000); Tiba (2002) e Vygotsky (1989); estes, estiveram alinhados com o teor e a forma da pesquisa, isto é, no sentido de realinhar a descrição dos dados coletados de forma in lócus quando da pesquisa de campo, a saber: numa instituição de Educação Infantil no município de Brejo da Madre de Deus – PE. Nesse sentido, a pesquisa contou com 28 participantes: 7 professores e 21 pais de alunos. Todos responderam ao questionário elaborado entre 7 a 9 perguntas abertas e fechadas. A devolutiva se deu num período de 45 dias. Assim, os dados coletados foram tabulados e arrolados em gráficos e quadros, exclusivamente de forma qualitativa com um repertório de autores que corroboram com a importância da relação família e escola no processo de desenvolvimento da aprendizagem da criança na educação infantil. Para consolidar o aporte teórico recorremos para as ideias de Parolin (2007) quando alega que: o papel da família na formação e na aprendizagem das crianças e jovens é ímpar. Nenhuma escola por melhor que seja, consegue substituir a família. Por outro lado, destaca-se também que a função da escola na vida da criança é igualmente ímpar. Mesmo que as famílias se esmerem em serem educadoras, o aspecto socializador do conhecimento e das relações não é adequadamente contemplado em ambientes domésticos. Alinhado a este autor, concordamos com a Constituição Federal de 1988, em seu (Art. 205) quando alude que a educação é direitos de todos e dever do estado e da família. Indiretamente, a constituição ressalta a parceria entre família e Estado como responsável pela educação da criança. Aquém disso, evidenciando a escola pública como principal equipamento para desenvolvimento da educação na sociedade. Sobretudo, essa parceria na Educação Infantil faz toda diferença, pois ajuda no acompanhamento e desenvolvimento das crianças. Já Paro (2007) alerta que a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais, para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim, a família irá se sentir comprometida com a melhoria da qualidade escolar e com o desenvolvimento do filho como ser humano. Sobretudo, Piaget (1973) já esclarecia que “o desenvolvimento da criança implica numa série de estruturas construídas progressivamente” (p. 76). Portanto, a criança é um ser ativo e faz parte do seu desenvolvimento: ações significativas. Entende-se, que a criança precisa de estímulo conforme sua fase de desenvolvimento no qual Piaget classificou em estágios distintos; sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal. Não é nosso objetivo essa discussão, mas recorremos a Vygotsky (1989) quando alertava que deste dos primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significativo próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e deste até o objeto passa através de outra pessoa. Essas estruturas humanas complexas é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre histórias individuais e história social (p. 33). Desse modo, Carvalho & Almeida (2006), copiosamente advogavam que “a teoria de desenvolvimento de Henri Wallon é um instrumento que pode ampliar a compreensão do professor sobre as possibilidades do aluno no processo ensino-aprendizagem e fornecer elementos para uma reflexão de como o ensino pode criar intencionalmente condições para favorecer esse processo, proporcionando a aprendizagem de novos comportamentos, novas ideias, novos valores” (p. 15). Corroborando com as ideias de Henri Wallon elevamos nosso apreço ao tema e argumentamos que a afetividade deve interagir no contexto escolar, a fim de desenvolver valores e harmonia, uma vez que a educação escolar é um ambiente diferente das suas casas, o convívio com meio escolar deve se basear em uma segunda casa para criança, na qual deve se sentir segura e acolhida. O que pensar da C.F/88? Campos (2005) também corrobora afirmando que “o documento que deu legitimidade à educação infantil foi a constituição federal, reescrita e promulgada em 1988, a partir da qual começou a ser reconhecida como direito fundamental da criança e como dever do Estado” (p. 12). No entanto, em nossos dias, percebemos as dificuldades de envolver escola, família e comunidade, uma vez que a escola está inserida na comunidade e precisa dessa relação harmônica. Mas, afinal o que é família? Para Giddens (2012) “é um grupo de pessoas ligado diretamente por conexão de parentesco, cujos membros adultos assumem responsabilidades por cuidar das crianças” (p. 242). Já Pereira (2008) defende que a família é considerada a instituição social básica a partir da qual todas as outras se desenvolvem, a mais antiga e com um caráter universal, pois aparece em todas as sociedades, embora as formas de vida familiar variem de sociedade (p. 43). Todavia, é muito importante que os pais participem da vida escolar, pois tanto a (família) como a (escola) se tornam responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso da criança. Pois, tanto a boa influência pode trazer sucesso como quando a relação negativa pode trazer distúrbio de aprendizagem. Para ter sucesso na aprendizagem é necessário estímulo, os pais necessitam estimular em casa a seus filhos gostarem de estudar e da escola. Para concluir voltamos no tempo e trazemos Sisto (2000), quando afirma que: “a criança pequena se baseia naquilo que inicialmente os pais dizem sobre ela. Se eles passam informações de que é ruim, sem valor, com uma severa crítica, ela passará a acreditar nisso e se comporta como tal”. “Ainda assim, um pai ou uma mãe que sabe aceitar seu filho procura respeitar o seu desenvolvimento” (p. 64). Nesse sentido, Tiba (2002) nos faz um alerta: “Se a parceria entre família e escola se forma desde os primeiros passos da criança, todos terão muito a lucrar. A criança que estiver bem vai melhorar ainda mais, e aquela que tiver problema receberá a ajuda tanto da escola quanto dos pais (p. 190). Entretanto, do ponto de vista - relação família e escola, - fica claro que a participação dos pais na etapa escolar dos filhos é essencial, principalmente na Educação Infantil onde ocorrem os primeiros contatos fora de casa. É nessa fase em que as crianças necessitam estarem conectadas com ambas as partes para ter um bom desenvolvimento adequado em todos os campos de desenvolvimento: seja no afetivo, no cognitivo e no social. Assim, chega-se a um dado comum nos dias atuais: a relação entre família e escola deve ser um tema presente no chão da escola fato este que deve ser priorizado como (sucesso educacional) do aluno sem qualquer tipo de prejuízo. Assim, concordamos que a família é muito importante na vida escolar das crianças, por se tornar a (primeira) instituição a fazer parte do seu convívio, pois acontecem as primeiras experiências e aprendizagens que são levadas para vida toda. Desta forma, os resultados da pesquisa apontam que a visão dos professores ainda está muito limitada (apenas) ao trabalho escolar. Por outra ótica, a pesquisa também apontou que quanto à percepção dos pais, a maioria demonstrou que estão dispostos a participar e incentivar seus filhos nas oportunidades que a escola possibilita. Assim, ficou claro que a escola necessita criar mais incentivos que incluam os pais em projetos pedagógicos, uma vez que a participação dos pais está limitada apenas às festas comemorativas e reuniões de pais e mestres. Para além disso, chega-se a um denominador comum: para ter sucesso na aprendizagem, faz necessário, acreditar no compromisso dessa junção, (família e escola), no qual o principal foco é a criança e seu desenvolvimento pleno em harmonia com a sociedade em que está inserida. Ambas as instituições (família e escola) devem contemplar a criança no todo, ou seja, valorizar todos os seus conhecimentos. A escola principalmente, precisa aproveitar o máximo de conhecimentos que cada criança carrega consigo no dia a dia. Conclui-se, portanto que depois da família a escola é o segundo ambiente socializador para as crianças, e seu principal foco deve ser sempre a aprendizagem. Entretanto, os professores e as instituições da educação infantil ocupam um espaço muito importante na vida das crianças e são responsáveis pela aprendizagem bem como o viver da vida social. Cabe lembrar que a família é tida como a (primeira) instituição, e, por sua vez, a escola se torna a (segunda), porém é considerada mais importante nesse processo. Sobretudo: essa fase vai além da aprendizagem, e rompe as barreiras que existem na educação infantil.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Atribuição CC BY