TOPOLOGIA DO SUPEREU: O SEU ESTATUTO FORACLUSIVO E A PROBLEMÁTICA DO ÊXTIMO NA METAPSICOLOGIA FREUDIANA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.25417Palavras-chave:
Supereu. Topologia. Psicose.Resumo
Este artigo propõe uma leitura topológica do supereu, tomando como eixo seu estatuto foraclusivo e a problemática do êxtimo na metapsicologia freudiana. Partindo da articulação entre Bejahung e Ausstossung na obra de Freud, discutimos a hipótese de um inconsciente genuíno – o isso inconsciente – como núcleo real não recalcado, tal como formulado por Gerez-Ambertín, e examinamos as consequências dessa tese para a concepção do supereu. A partir das figuras freudianas do aparelho (retângulo da Carta 52, “bolsa” e da introdução de um buraco no isso), deslocamos o modelo para a topologia da garrafa de Klein, destacando seus invariantes: unilateralidade, não orientabilidade e indistinção entre interior e exterior. Com base nessa formalização, propomos que, em sua camada mais arcaica, o supereu é coextensivo ao núcleo real do isso, configurando-se menos como instância de ideal do que como ponto de êxtimo em que o buraco do real ex-siste em relação ao sujeito e ao laço social. A leitura dos casos Schreber e Roberto, o lobo, permite ilustrar clinicamente essa hipótese, ao evidenciar a presença de vozes e significantes únicos não ligados, que retornam desde fora como mandamentos de gozo sem dialética. Por fim, discutimos os desdobramentos dessa perspectiva para a compreensão das manifestações superegóicas imperiosas nas neuroses e das formas contemporâneas de vociferação no campo social, articulando-as ao “supereu cultural” descrito por Freud em O mal-estar na civilização.
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