A NOSSA SAÚDE: UM RETRATO DA SAÚDE COLETIVA EM TERRITÓRIOS DESIGUAIS
Palavras-chave:
Saúde Coletiva. Epidemiologia Crítica. Justiça SocialResumo
A obra que agora se apresenta emerge em um momento histórico caracterizado por intensas crises sociais, econômicas e de saúde, nas quais a saúde pública e coletiva evidenciam, de forma clara, as contradições de sociedades afetadas por desigualdades estruturais.
Em períodos em que a ciência e a tecnologia evoluem rapidamente, cresce igualmente a necessidade de enfatizar que a saúde não pode ser limitada a indicadores ou procedimentos técnicos, mas deve ser entendida como uma dimensão fundamental da vida social, permeada por relações de poder, injustiças históricas e conflitos políticos. Nesse contexto, esta obra representa uma contribuição significativa para a análise crítica da epidemiologia e da vigilância em saúde, ao destacar a necessidade de uma abordagem pautada pela justiça social e pela valorização da diversidade de conhecimentos.
O leitor poderá perceber, ao longo dos capítulos, uma estrutura teórica sólida, que se relaciona com a herança da Saúde Coletiva na América Latina e com as visões críticas que surgem das Epistemologias do Sul. A obra confirma que os processos de saúde, enfermidade e morte são gerados socialmente, e que as desigualdades em saúde não são naturais, mas consequência de decisões políticas e de modelos econômicos que excluem.
A epidemiologia crítica, discutida aqui, fornece ferramentas para entender como as estruturas sociais influenciam a distribuição de problemas de saúde, enquanto também adverte sobre os perigos de uma ciência desconectada da realidade social, que reduz populações vulneráveis a “grupos de risco” e naturaliza a exclusão.
A vigilância em saúde é descrita não apenas como uma técnica de monitoramento, mas como um mecanismo político de salvaguarda da vida em comum, que pode fortalecer ou combater as desigualdades sanitárias, conforme sua direção ética e sua gestão.
A obra ressalta a relevância de reavaliar a produção do conhecimento em saúde, desafiando a predominância de saberes eurocêntricos e apoiando a descolonização epistemológica como requisito para uma epidemiologia que seja mais atenta às realidades dos territórios e às vivências de resistência das comunidades.
Em resumo, a obra sinaliza a urgência de uma ciência em saúde dedicada à dignidade humana, ao direito à saúde e à formação de sociedades mais justas e solidárias. Este prefácio, não tem a intenção de esgotar os assuntos tratados, mas propõe uma leitura cuidadosa e reflexiva, onde o leitor seja capaz de perceber a importância política e ética da epidemiologia e da vigilância em saúde.
Que esta obra incite discussões, investigações e ações que reforcem a saúde coletiva como uma arena de combate social e como um meio para a mudança das condições de vida e da estrutura dos sistemas de saúde!
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