EPISTEMOLOGIAS TÁTEIS E FORMAÇÃO DO GUIA-INTÉRPRETE NO CONTEXTO DA SURDOCEGUEIRA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i4.23048Palabras clave:
Surdocegueira. Guia-intérprete. Comunicação tátil. Acessibilidade. Epistemologias do corpo.Resumen
A surdocegueira, reconhecida como uma deficiência única e complexa, exige práticas comunicacionais e de condução que ultrapassam modelos tradicionais de acessibilidade. Nesse contexto, o guia-intérprete torna-se um profissional fundamental, responsável pela mediação tátil, espacial e linguística entre a pessoa surdocega e o mundo. Este artigo discute os fundamentos das epistemologias táteis como base para uma formação ética e sensorialmente orientada do guia-intérprete. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-analítico, fundamentada em revisão narrativa da literatura nacional e internacional, análise documental de normativas de acessibilidade e estudos produzidos por organizações especializadas em surdocegueira, além do exame crítico das práticas formativas atualmente disponíveis no Brasil. O percurso metodológico permitiu identificar lacunas estruturais na formação oferecida, bem como mapear competências linguísticas, técnicas, relacionais e corporais necessárias ao atendimento de pessoas surdocegas. Argumenta-se que formar guia-intérpretes é, antes de tudo, reconhecer a centralidade da experiência tátil e o papel político do corpo surdocego na produção de sentido, garantindo acesso, autonomia e participação social.
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