EFLÚVIO TELÓGENO ASSOCIADO AO USO DE MEDICAMENTOS EMAGRECEDORES: MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E EVIDÊNCIAS CLÍNICAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29206Palavras-chave:
Eflúvio Telógeno. Alopecia. Obesidade. Perda de Peso.Resumo
O eflúvio telógeno constitui a principal causa de alopecia difusa não cicatricial, caracterizando-se pela transição precoce dos folículos pilosos da fase anágena para a fase telógena em resposta a diferentes estímulos sistêmicos. Nos últimos anos, a crescente utilização de medicamentos emagrecedores, especialmente agonistas de GLP-1 e agonistas duplos GIP/GLP-1, foi acompanhada pelo aumento de relatos de queda capilar, despertando interesse quanto aos mecanismos fisiopatológicos envolvidos e às implicações clínicas dessa associação. Diante desse cenário, o presente estudo objetivou realizar uma revisão narrativa da literatura acerca da associação entre o eflúvio telógeno e o uso de medicamentos emagrecedores, enfatizando os mecanismos fisiopatológicos, os fatores predisponentes, as características clínicas, o diagnóstico e as estratégias contemporâneas de prevenção e manejo. Trata-se de uma revisão narrativa, de natureza descritiva, analítica e interpretativa, realizada por meio das bases PubMed/MEDLINE, SciELO, Scopus, Web of Science e Embase, incluindo ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões sistemáticas, metanálises, diretrizes clínicas e estudos experimentais publicados entre 2020 e 2026. Os resultados evidenciaram que a associação entre medicamentos emagrecedores e eflúvio telógeno apresenta natureza multifatorial, estando relacionada predominantemente às adaptações metabólicas induzidas pela rápida perda ponderal, como restrição calórica, balanço energético negativo, deficiências de macro e micronutrientes, alterações hormonais e estresse metabólico, e não a um efeito farmacológico direto sobre o folículo piloso. Observou-se ainda que semaglutida e tirzepatida concentram o maior número de relatos de queda capilar, embora a magnitude da perda de peso constitua o principal determinante para o desenvolvimento do ET. Persistem, entretanto, limitações decorrentes da heterogeneidade metodológica dos estudos, da ausência de critérios diagnósticos padronizados e da escassez de investigações prospectivas capazes de esclarecer a contribuição relativa da perda ponderal e da ação farmacológica sobre o ciclo folicular. Conclui-se que o ET associado aos medicamentos emagrecedores representa uma condição predominantemente secundária às repercussões fisiológicas do emagrecimento acelerado, reforçando a importância do acompanhamento clínico e nutricional durante o tratamento da obesidade e da realização de estudos futuros que subsidiem estratégias preventivas e terapêuticas baseadas em evidências.
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