RACISMO AMBIENTAL E VULNERABILIDADE TERRITORIAL EM MANGUINHOS (RJ): EVIDÊNCIAS DOCUMENTAIS DAS DESIGUALDADES SOCIOAMBIENTAIS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.28007Palavras-chave:
Racismo ambiental. Vulnerabilidade territorial. Justiça ambiental. Manguinhos. Desigualdades socioambientais.Resumo
O racismo ambiental constitui um fenômeno estrutural nas metrópoles brasileiras, manifestando-se pela distribuição desigual dos riscos ambientais e das condições de vida entre diferentes grupos populacionais. Este artigo tem como objetivo analisar, a partir de evidências documentais e indicadores socioambientais, como processos históricos de desigualdade territorial e exclusão social contribuem para a configuração contemporânea do racismo ambiental e da vulnerabilidade territorial em Manguinhos, Rio de Janeiro. A pesquisa, de natureza qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentou-se em pesquisa documental e revisão bibliográfica, analisando dados do IBGE, IPP, Fiocruz e IPEA produzidos entre 2010 e 2025. Os resultados evidenciam que Manguinhos concentra indicadores desfavoráveis: aproximadamente 94,93% dos domicílios com renda inferior a R$ 1.020,00 e 11,56% com ausência simultânea de serviços essenciais, associados à precariedade de infraestrutura urbana, deficiências de saneamento e exposição a riscos hidrológicos. Conclui-se que a vulnerabilidade territorial observada não constitui condição natural, mas resultado de processos históricos de segregação socioespacial e distribuição desigual dos investimentos públicos, compatíveis com o conceito de racismo ambiental. O estudo contribui para ampliar a discussão sobre justiça ambiental e direito à cidade em territórios periféricos brasileiros.
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