A TIKTORIZAÇÃO DOS TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE: BANALIZAÇÃO E ESTIGMATIZAÇÃO NA ERA DA CONEXÃO DIGITAL

Autores

  • Jéssica França Mendonça UNIMINAS
  • Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto UNIRIO
  • Daniel Motta Corrêa Pinto FACUVALE
  • Tânia Cristina de Oliveira Valente UNICAMP
  • Sandro Valério Gonçalves Martins UFRRJ
  • Wagner Charles Soares de Martins UFT

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.26549

Palavras-chave:

Transtornos de Personalidade. Saúde Mental. Mídias Sociais. Autodiagnóstico. Desinformação em Saúde.

Resumo

A crescente centralidade das mídias digitais na contemporaneidade tem reconfigurado as formas de produção de sentidos e de construção das subjetividades, especialmente no campo da saúde mental. Nesse contexto, destaca-se o fenômeno da tiktorização, caracterizado pela circulação de conteúdos curtos, dinâmicos e orientados ao engajamento, que favorecem a ampla disseminação de informações, mas também a simplificação de fenômenos clínicos complexos, como os transtornos de personalidade. O presente estudo tem como objetivo analisar criticamente, na literatura científica, o fenômeno da tiktorização dos transtornos de personalidade, considerando seus efeitos na construção de sentidos acerca do sofrimento psíquico, com ênfase nos processos de simplificação, autodiagnóstico, banalização e estigmatização. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, conduzida conforme as recomendações do PRISMA. A busca foi realizada nas bases SciELO, LILACS e PubMed, utilizando descritores relacionados à temática, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos completos, publicados em português, inglês e espanhol, e excluídos estudos duplicados, sem relação direta com o tema e publicações não originais. Ao final do processo de seleção, 10 estudos compuseram a amostra. A análise foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, com organização dos achados em categorias analíticas. Os resultados evidenciam convergência na literatura quanto ao papel das mídias digitais na mediação das experiências em saúde mental, destacando uma tensão entre o potencial informativo dessas plataformas e os riscos associados à simplificação de conteúdos, à desinformação e ao autodiagnóstico. Observa-se que a tiktorização favorece a redução de critérios diagnósticos a traços isolados, a banalização de conceitos psicopatológicos e a incorporação de categorias diagnósticas como elementos identitários. Além disso, a mediação algorítmica intensifica a circulação de narrativas simplificadas, contribuindo para a formação de bolhas informacionais, a patologização de experiências cotidianas e a ampliação do estigma. Conclui-se que a tiktorização da saúde mental constitui um fenômeno ambivalente, que amplia o acesso à informação, mas também impõe limites à compreensão dos transtornos de personalidade. Destaca-se a necessidade de fortalecimento da literacia em saúde mental, do uso crítico das mídias digitais e da promoção de práticas éticas na produção de conteúdos psicológicos, bem como o desenvolvimento de pesquisas futuras que aprofundem os impactos desse fenômeno na saúde mental na era digital.

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Biografia do Autor

Jéssica França Mendonça, UNIMINAS

Pós-graduanda em Saúde Pública, UNIMINAS.

Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto, UNIRIO

Doutora em Enfermagem e Biociências, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO.

Daniel Motta Corrêa Pinto, FACUVALE

Especialista em gerenciamento de risco, Faculdade do Vale do Aço – FACUVALE.

Tânia Cristina de Oliveira Valente, UNICAMP

Pós-Doutora em Psicologia Médica e Psiquiatria,Universidade Estadual de Campinas -UNICAMP.

Sandro Valério Gonçalves Martins, UFRRJ

Doutorando em Psicologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ.

Wagner Charles Soares de Martins, UFT

Mestre em Filosofia, Universidade Federal de Tocantins – UFT. 

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Publicado

2026-06-16

Como Citar

Mendonça, J. F., Pinto, V. S. S. C., Pinto, D. M. C., Valente, T. C. de O., Martins, S. V. G., & Martins, W. C. S. de. (2026). A TIKTORIZAÇÃO DOS TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE: BANALIZAÇÃO E ESTIGMATIZAÇÃO NA ERA DA CONEXÃO DIGITAL. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(6), 1–10. https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.26549