A TIKTORIZAÇÃO DOS TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE: BANALIZAÇÃO E ESTIGMATIZAÇÃO NA ERA DA CONEXÃO DIGITAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.26549Palavras-chave:
Transtornos de Personalidade. Saúde Mental. Mídias Sociais. Autodiagnóstico. Desinformação em Saúde.Resumo
A crescente centralidade das mídias digitais na contemporaneidade tem reconfigurado as formas de produção de sentidos e de construção das subjetividades, especialmente no campo da saúde mental. Nesse contexto, destaca-se o fenômeno da tiktorização, caracterizado pela circulação de conteúdos curtos, dinâmicos e orientados ao engajamento, que favorecem a ampla disseminação de informações, mas também a simplificação de fenômenos clínicos complexos, como os transtornos de personalidade. O presente estudo tem como objetivo analisar criticamente, na literatura científica, o fenômeno da tiktorização dos transtornos de personalidade, considerando seus efeitos na construção de sentidos acerca do sofrimento psíquico, com ênfase nos processos de simplificação, autodiagnóstico, banalização e estigmatização. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, conduzida conforme as recomendações do PRISMA. A busca foi realizada nas bases SciELO, LILACS e PubMed, utilizando descritores relacionados à temática, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos completos, publicados em português, inglês e espanhol, e excluídos estudos duplicados, sem relação direta com o tema e publicações não originais. Ao final do processo de seleção, 10 estudos compuseram a amostra. A análise foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, com organização dos achados em categorias analíticas. Os resultados evidenciam convergência na literatura quanto ao papel das mídias digitais na mediação das experiências em saúde mental, destacando uma tensão entre o potencial informativo dessas plataformas e os riscos associados à simplificação de conteúdos, à desinformação e ao autodiagnóstico. Observa-se que a tiktorização favorece a redução de critérios diagnósticos a traços isolados, a banalização de conceitos psicopatológicos e a incorporação de categorias diagnósticas como elementos identitários. Além disso, a mediação algorítmica intensifica a circulação de narrativas simplificadas, contribuindo para a formação de bolhas informacionais, a patologização de experiências cotidianas e a ampliação do estigma. Conclui-se que a tiktorização da saúde mental constitui um fenômeno ambivalente, que amplia o acesso à informação, mas também impõe limites à compreensão dos transtornos de personalidade. Destaca-se a necessidade de fortalecimento da literacia em saúde mental, do uso crítico das mídias digitais e da promoção de práticas éticas na produção de conteúdos psicológicos, bem como o desenvolvimento de pesquisas futuras que aprofundem os impactos desse fenômeno na saúde mental na era digital.
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