CLASSIFICAR, NOMEAR E COLONIZAR: O COLONIZADOR EUROPEU E O OUTRO NO CONTO DE CLARICE LISPECTOR
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30172Palabras clave:
Conto. Colonizador. Classificar. Apagamento.Resumen
Este artigo tem como objetivo interpretar, sob um olhar crítico-literário, a necessidade de nomear, classificar e colonizar do homem branco com base no conto de Clarice Lispector “A menor mulher do mundo”, publicado em 1959. A narrativa apresenta, sob a visão do narrador em terceira pessoa, olhar do colonizador e também da sociedade francesa da época, expondo o gesto de apropriação, comum no processo de colonização e, por meio da personagem Pequena Flor, a construção do colonizado como inferior e alguém observado sob da curiosidade e da redução identitária. A personagem, ao ser descoberta, medida e nomeada por um explorador europeu, deixa de ser sujeito de sua própria história e passa a existir apenas no olhar e na linguagem do outro. O conto evidencia como a imposição de uma linguagem sobre o corpo e a cultura do colonizado funciona como mecanismo de silenciamento e dominação simbólica. Clarice Lispector, com sutileza e ironia, desmonta o discurso aparentemente científico e neutro da exploração, revelando suas implicações éticas e políticas ao escancarar a violência por trás do ato de nomear. Assim, a obra convida o leitor a refletir sobre os modos como a linguagem, o saber e o poder se entrelaçam nos processos de colonização e apagamento do outro. A nomeação, nesse contexto, não se configura como ato de reconhecimento, mas como mecanismo de controle e apagamento da alteridade. O conto evidencia, assim, as estratégias simbólicas de poder que permeiam o discurso colonial, revelando as sutilezas da violência que se inscreve na linguagem e no olhar daquele que observa o outro a partir de um lugar de superioridade.
Descargas
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Categorías
Licencia
Atribuição CC BY