CORONECTOMIA VERSUS EXODONTIA COMPLETA EM TERCEIROS MOLARES INFERIORES DE ALTO RISCO: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30162Palabras clave:
: Coronectomia. Terceiro Molar. Nervo Alveolar Inferior. Canal Mandibular. Cirurgia Bucal.Resumen
Introdução: terceiros molares inferiores impactados que mantêm íntima relação radiográfica com o canal mandibular representam desafio relevante para a cirurgia bucomaxilofacial, em razão do risco aumentado de lesão do nervo alveolar inferior (NAI) durante a exodontia convencional. A coronectomia, técnica que consiste na remoção da coroa dentária com manutenção intencional das raízes, consolidou-se como alternativa cirúrgica para reduzir esse risco. Objetivo: comparar a ocorrência de lesão do NAI entre a coronectomia e a exodontia completa de terceiros molares inferiores de alto risco, analisando também os principais desfechos clínicos associados a cada abordagem. Métodos: revisão integrativa da literatura, conduzida segundo o referencial metodológico de Whittemore e Knafl, com busca nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e Cochrane Library. Foram selecionados estudos primários e revisões sistemáticas publicados majoritariamente entre 2021 e 2026, complementados por referências anteriores consideradas fundamentais para a contextualização histórica do tema, entre elas o ensaio clínico randomizado pioneiro de Renton et al. (2005) e o estudo radiográfico de Rood e Shehab (1990). Resultados: os estudos analisados, incluindo ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas com amostras agregadas amplas, apresentaram resultados consistentes quanto à menor ocorrência de lesão do NAI após coronectomia em comparação à exodontia completa. Observou-se, contudo, possibilidade de falha intraoperatória da coronectomia, com necessidade de conversão para exodontia em parcela dos casos, além de migração radicular da raiz remanescente, fenômeno mais pronunciado em pacientes jovens e eventual necessidade de reintervenção cirúrgica, que se mostrou proporcionalmente menos frequente que a própria migração. A evidência relativa à infecção pós-operatória mostrou-se heterogênea entre os estudos; algumas amostras de maior porte relataram proporção numericamente superior de infecção após coronectomia em comparação à exodontia, achado que não deve ser interpretado como aumento comprovado do risco, já que nem todos os estudos relataram significância estatística para essa diferença. Dor, alveolite e lesão do nervo lingual não mostraram padrão consistente de superioridade de uma técnica sobre a outra. Estudos preliminares sugerem possível aplicabilidade da coronectomia em pacientes idosos e em terceiros molares com patologia associada, como cistos e lesões cariosas, embora o pequeno número de estudos nesses subgrupos ainda não permita generalização. Observou-se, ainda, sobreposição relevante dos estudos primários utilizados pelas diferentes revisões sistemáticas incluídas, o que reduz o grau de independência entre as estimativas agregadas apresentadas na literatura. Conclusão: a evidência disponível indica que a coronectomia está associada a menor ocorrência de lesão do NAI em terceiros molares inferiores de alto risco, podendo constituir alternativa à exodontia completa em casos selecionados. Sua indicação deve ser individualizada, considerando a possibilidade de migração radicular, eventual reintervenção e a necessidade de acompanhamento clínico-radiográfico prolongado, além da heterogeneidade da evidência sobre infecção. São necessários estudos clínicos randomizados multicêntricos e acompanhamento de longo prazo para consolidar essas observações.
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