A MERCANTILIZAÇÃO DA ODONTOLOGIA E SEUS IMPACTOS NA EQUIDADE EM SAÚDE: DESAFIOS PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.29984Palabras clave:
Mercantilização da Saúde. Saúde Bucal. Desigualdades em Saúde. Sistema Único de Saúde.Resumen
A mercantilização da Odontologia constitui um fenômeno relevante para compreender as desigualdades em saúde bucal no Brasil, especialmente diante da coexistência entre o setor privado e o direito universal à saúde garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este ensaio tem como objetivo analisar criticamente a relação entre a mercantilização da atenção odontológica, as desigualdades socioeconômicas e a equidade em saúde bucal, discutindo o papel do SUS nesse cenário. A discussão foi fundamentada na literatura científica sobre a Política Nacional de Saúde Bucal, acesso aos serviços odontológicos, gastos privados, medicalização e organização da atenção à saúde bucal. Observa-se que a implementação da Política Nacional de Saúde Bucal e do Programa Brasil Sorridente contribuiu para ampliar o acesso aos serviços odontológicos e reduzir desigualdades absolutas. Entretanto, diferenças socioeconômicas permanecem relacionadas à utilização dos serviços, à capacidade de pagamento e à continuidade do cuidado. Paralelamente, a expansão de procedimentos estéticos e das redes sociais aproxima determinadas práticas odontológicas de uma lógica de consumo, levantando questionamentos sobre os limites entre cuidado, necessidade e mercado. Nesse contexto, o SUS desempenha papel fundamental na redução das desigualdades ao oferecer atenção odontológica independentemente da capacidade direta de pagamento. Conclui-se que o enfrentamento das desigualdades em saúde bucal exige o fortalecimento de uma atenção pública integral, acessível e orientada pela equidade.
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