INTERSECCIONALIDADE EM TERRITÓRIOS INSURGENTES: A RE(EX)SISTÊNCIA DE MULHERES QUILOMBOLAS EM ZONAS DE CRIMES AMBIENTAIS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.29742Palabras clave:
Quilombolas. Mulheres. Interseccionalidade. Racismo ambiental. Resistência.Resumen
O presente artigo apresenta um resumo expandido da dissertação de mestrado "Interseccionalidade em territórios insurgentes: a re(ex)sistência de mulheres quilombolas em zonas de crimes ambientais", desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). O problema central da pesquisa consiste em compreender como mulheres quilombolas da comunidade Lagoa das Piranhas, em Bom Jesus da Lapa (BA), articulam agência, memória e práticas culturais para enfrentar o racismo ambiental e as desigualdades históricas que incidem sobre seu território. Adota-se a interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica, considerando simultaneamente raça, gênero, território e classe, em diálogo com autoras como Lélia Gonzalez, Carla Akotirene, bell hooks e Patricia Hill Collins, além de referenciais sobre racismo e justiça ambiental, agronegócio e epistemologias quilombolas. A pesquisa, de natureza qualitativa, combinou observação participante, pesquisa militante, entrevistas semiestruturadas e rodas de conversa com quinze mulheres da comunidade. Os resultados evidenciam que a contaminação da Lagoa das Piranhas pelo Projeto Público de Irrigação Formoso configura crime ambiental com graves repercussões sociais, sanitárias e culturais, e que as mulheres quilombolas ocupam posição central na denúncia, na mobilização comunitária e na preservação de saberes tradicionais diante da omissão do poder público e da morosidade estatal na titulação do território. Discute-se ainda o marco jurídico de proteção territorial quilombola, sua efetividade limitada e os avanços institucionais recentes. Conclui-se que os quilombos devem ser compreendidos não apenas como espaços geográficos, mas como construções sociais e políticas que promovem o bem-viver e a justiça ambiental, o que reforça a urgência de políticas públicas que reconheçam as especificidades desses territórios.
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