CORPOS QUE HERDAM: EPIGENÉTICA, AMBIENTE E SAÚDE DAS MULHERES

Autores/as

  • Laryssa Andrade da Luz Santos
  • Larissa Silva Mascarenhas

Palabras clave:

Epigenética. Saúde da mulher. Determinantes socioambientais.

Resumen


Para te contar o que você vai encontrar aqui, eu te convido a conhecer a história de Ayó.
Ayó nasceu em um território onde o cuidado sempre foi escasso e a sobrevivência, regra. Desde cedo aprendeu que o corpo feminino não é apenas biologia, mas campo de disputas, silêncios e resistências. Cresceu ouvindo que precisava ser forte, mesmo quando o cansaço era maior que a própria idade. Nunca nomeou o que sentia, mas o corpo registrou cada tensão, cada medo, cada adaptação necessária para continuar vivendo.
Na juventude, vieram as pressões invisíveis: ser produtiva, ser desejável, ser saudável, ser tudo ao mesmo tempo. O peso não estava apenas na balança, mas nas cobranças sociais, nos ciclos hormonais desregulados, nas noites mal dormidas e nas decisões clínicas tomadas sem escuta qualificada. Ayó passou por consultas rápidas, prescrições padronizadas e orientações que tratavam sintomas, mas não alcançavam as raízes do seu sofrimento.
Com o tempo, seu corpo começou a falar de outras formas. Alterações metabólicas, oscilações emocionais, exaustão persistente. Cada diagnóstico parecia isolado, mas, na realidade, todos faziam parte de uma mesma trama: a interação entre ambiente, história de vida, desigualdades sociais, exposições ambientais e cuidado em saúde fragmentado. Ayó percebeu que não adoeceu de repente. Ela foi sendo moldada, lentamente, por múltiplos determinantes que atravessam a vida de muitas mulheres.
Em diferentes momentos, enfrentou dilemas comuns à saúde feminina: escolhas contraceptivas com repercussões emocionais inesperadas, alterações metabólicas associadas ao estilo de vida imposto pelas exigências sociais, sofrimento psíquico relacionado à hiperprodutividade e, sobretudo, a dificuldade de ser compreendida de forma integral pelos serviços de saúde. Cada experiência trouxe novas perguntas sobre o próprio corpo, sobre os limites da medicalização e sobre o que realmente significa cuidado.
A história de Ayó não é extraordinária porque é rara. Ela é potente justamente porque é comum, porque se repete em múltiplos contextos clínicos, consultórios, unidades básicas de saúde e hospitais. É a história de mulheres que carregam no corpo marcas biológicas, emocionais e sociais que raramente são analisadas de forma integrada.
Ao longo deste livro, as vivências de Ayó servirão como fio condutor para discutir, de maneira crítica e baseada em evidências, como fatores biológicos, metabólicos, hormonais, psíquicos, sociais e ambientais se articulam na produção da saúde e do adoecimento feminino. A trajetória dela nos permite enxergar além dos sintomas isolados e compreender a mulher em sua totalidade, evidenciando a necessidade de práticas clínicas mais sensíveis, interdisciplinares e comprometidas com os direitos e com o cuidado integral em saúde.

Os autores.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Publicado

2026-03-17

Cómo citar

Santos, L. A. da L., & Mascarenhas, L. S. (2026). CORPOS QUE HERDAM: EPIGENÉTICA, AMBIENTE E SAÚDE DAS MULHERES. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10–118. Recuperado a partir de https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/24534

Número

Sección

E-books

Categorías