JUSTIÇA EPISTÊMICA E EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO: DESCONSTRUINDO A NARRATIVA DO “TERRITÓRIO VAZIO” NA CAATINGA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i3.25247Keywords:
Aprendizagem Baseada no Lugar. Literacia Ambiental. Educação Rural. Conhecimento Biocultural. Adaptação Climática.Abstract
O Semiárido brasileiro tem sido historicamente representado como um território marcado pela escassez, pela adversidade ambiental e pela vulnerabilidade socioeconômica, reforçando uma narrativa persistente que enquadra a região como um espaço “vazio” ou deficitário que demandaria intervenções externas. Essas representações contribuíram para a marginalização dos sistemas de conhecimento territorial e para a invisibilização das práticas socioecológicas desenvolvidas pelas comunidades locais. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar como a educação contextualizada contribui para a desconstrução da narrativa do “território vazio” e para o reconhecimento da Caatinga como um espaço de produção de conhecimento, identidade territorial e resiliência socioecológica. Metodologicamente, a pesquisa adota uma revisão integrativa da literatura, baseada em uma busca sistemática realizada entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 em bases de dados acadêmicas internacionais e regionais. Inicialmente foram identificados 252 registros, dos quais 28 referências compuseram o corpus final após os procedimentos de triagem e elegibilidade. Os resultados revelam três padrões analíticos principais: conflitos epistêmicos entre conhecimentos institucionais e territoriais, o papel da educação contextualizada no fortalecimento da identidade territorial e do pertencimento comunitário, e a contribuição de abordagens educacionais baseadas no território para a literacia climática e o engajamento ambiental de jovens. Conclui-se que a educação contextualizada atua como uma forma de resistência epistêmica ao legitimar saberes locais e integrá-los aos processos educativos, permitindo reinterpretar o Semiárido não como espaço de escassez, mas como território de conhecimento adaptativo e aprendizagem socioecológica.
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