A DUALIDADE DA ATENÇÃO: UMA ANÁLISE DA PSICOLOGIA SOCIAL SOBRE O CUIDADO E O CONTROLE NA MEDICALIZAÇÃO DA INFÂNCIA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.31387Palavras-chave:
Medicalização da Infância, TDAH, Dualidade da Atenção, Psicologia Social Crítica, PharmakonResumo
Nas últimas décadas, a atenção deixou de ser concebida apenas como uma função neuropsicológica isolada para ocupar posição estratégica nos discursos sobre produtividade, desempenho e autogestão. No cenário educacional e clínico, essa transformação tem sido acompanhada por uma expressiva expansão dos diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e pelo aumento no consumo de psicoestimulantes como o metilfenidato. Sob a perspectiva da Psicologia Social Crítica e do referencial teórico da cognição inventiva de Virgínia Kastrup e Luciana Caliman, este artigo analisa de que maneira a dualidade da atenção, compreendida como a tensão entre o cuidado benevolente e o controle normativo, atravessa os processos de diagnóstico e medicalização da infância. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa e de natureza teórico-conceitual, fundamentado em pesquisa bibliográfica e documental. A discussão aponta que a preferência institucional pela atenção cognitivista (ou tarefeira) tende a restringir a atenção inventiva e a fazer com que práticas de cuidado assumam funções de normalização e controle. O diagnóstico e a medicação operam como um pharmakon, oferecendo um alívio funcional imediato às demandas escolares, mas correndo o risco de produzir bioidentidades que reduzem o sofrimento psíquico a disfunções neuroquímicas. Conclui-se pela necessidade de deslocar o olhar do cérebro individual em direção às ecologias da atenção, resgatando a criança como sujeito de saber e promovendo formas de acolhimento que não exijam a normatização biológica para a inclusão social.
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