“SEM CASA POR DENTRO”: CUIDADO, INFÂNCIA E PRODUÇÃO DO SOFRIMENTO PSICOSSOCIAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i2.24036Palavras-chave:
Infância. Sofrimento Psicossocial. Psicologia Social Crítica.Resumo
Este artigo analisa a produção do sofrimento psicossocial a partir de um caso singular de infância marcada por cuidado contínuo e parcial estabilidade material, mas atravessada pela ausência de abrigo subjetivo. Em diálogo com a psicologia social crítica, o caso é mobilizado não como exemplo representativo, mas como analisador, operador conceitual e ponto de condensação de forças históricas, normativas e afetivas implicadas na produção social das infâncias. Argumenta-se que determinadas formas de cuidado, ao privilegiarem adaptação, funcionalidade e silenciamento afetivo, podem gerar modos específicos de sofrimento que não se expressam como ruptura, mas como hiperfuncionamento, vergonha do prazer e dificuldade de habitar vínculos estáveis na vida adulta. Ao falar de infâncias no plural, o texto desnaturaliza modelos hegemônicos de cuidado e propõe compreender o sofrimento não como falha individual, mas como efeito relacional e socialmente produzido. O artigo contribui para o debate crítico sobre infância, cuidado e saúde mental ao evidenciar sofrimentos pouco nomeados na literatura psicossocial.
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