TEORIA DO ESPELHAMENTO CONTÍNUO: A PERCEPÇÃO DO OUTRO COMO PROJEÇÃO RECURSIVA DA AUTOIMAGEM
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30616Palavras-chave:
Percepção especular, Autoimagem, Projeção, Prática clínica, Teoria do Espelhamento ContínuoResumo
O presente artigo propõe a Teoria do Espelhamento Contínuo, um modelo teórico segundo o qual toda percepção do outro é estruturalmente mediada por camadas sucessivas da autoimagem do sujeito perceptor. Trata-se de um ensaio teórico-conceitual, fundamentado em revisão narrativa da literatura sobre a metáfora do espelho, a projeção e a percepção interpessoal. Partindo do diálogo com o estádio do espelho de Jacques Lacan (1998 [1949]), o eu-espelho de Charles Horton Cooley (1902) e a função de espelhamento na psicologia do self de Heinz Kohut (1971), o artigo argumenta que essas formulações descrevem momentos ou funções específicas do espelhamento, mas não uma lei geral de percepção válida para toda a experiência relacional. A Teoria do Espelhamento Contínuo propõe cinco princípios — nomeados reflexos — que descrevem, respectivamente, a experiência como espelho de si, a crença como filtro perceptivo, o hiato estrutural entre autoimagem e heteroimagem, a projeção especular como mecanismo geral de percepção do outro e o espelhamento infinito como estrutura recursiva sem imagem originária. O artigo discute ainda as implicações do modelo para a escuta clínica em psicologia, argumentando que reconhecer o caráter especular da percepção interpessoal amplia a compreensão do terapeuta sobre fenômenos como projeção, transferência e resistência. Conclui-se que a Teoria do Espelhamento Contínuo oferece uma ferramenta conceitual original para pensar a relação entre autoconhecimento, percepção do outro e prática clínica.
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