MOAGEM DO MILHO À PEDRA EM MOINHOS COLONIAIS: INTERFACES ENTRE CULTURA ALIMENTAR, PROCESSAMENTO E PRESERVAÇÃO DOS SABERES
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30366Palavras-chave:
Milho, Farinha de milho, Cultura alimentar, Moinho colonial, Sistemas alimentares locaisResumo
Este estudo teve como objetivo compreender os significados atribuídos à moagem do milho à pedra em moinhos coloniais de Ponte Preta e Barão de Cotegipe, no Rio Grande do Sul, discutindo suas relações com a cultura alimentar, o processamento da farinha e a preservação de sistemas alimentares locais. Trata-se de pesquisa qualitativa exploratória, realizada por meio de observação direta em três moinhos coloniais e entrevistas semiestruturadas com dez participantes, sendo três proprietários ou ex-proprietários de moinhos e sete moradores ou ex-moradores da região, com idades entre 55 e 80 anos. Os relatos evidenciaram os moinhos como espaços produtivos, sociais e afetivos, vinculados à agricultura familiar, à imigração europeia e ao preparo cotidiano da polenta. A farinha moída à pedra foi valorizada pela procedência conhecida, granulometria, coloração e sabor, embora a observação de campo tenha identificado degerminação parcial. A polenta destacou-se como preparação associada ao trabalho rural, à saciedade percebida, à memória familiar e à identidade colona. Conclui-se que a moagem à pedra integra um sistema alimentar territorial, articulando alimento, técnica, trabalho, memória, pertencimento e preservação de saberes.
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