ENTRE O SILÊNCIO E A VOZ: EPISTEMOLOGIAS DISSIDENTES, SURDEZ E PRÁTICAS DE NUMERAMENTO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29736

Palavras-chave:

estudos surdos. Libras. Numeramento. epistemologias dissidentes. subalternidade.

Resumo

Este trabalho, de natureza teórica, ensaística e bibliográfica, analisa a dissertação de Edmara Carvalho Novaes (2020) sobre as práticas de numeramento de surdos na Associação de Surdos de Governador Valadares (ASUGOV), em diálogo com as formulações de Renata Pereira Lima Aspis (2023) sobre epistemologias viscerais, a sociologia do campo científico de Pierre Bourdieu (2004) e a crítica à subalternidade de Gayatri Spivak (2010). O objetivo é compreender de que modo a Língua Brasileira de Sinais (Libras), concebida como demarcador territorial e cultural, desafia a racionalidade cartesiana e logocêntrica, reconfigurando o estatuto do conhecimento em direção a uma epistemologia situada e corpórea. Metodologicamente, realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa fundamentada no cruzamento entre aportes sociológicos, filosóficos e os dados do cotidiano da ASUGOV. Argumenta-se que a imposição da língua majoritária escrita e da matemática escolar opera uma violência epistêmica que desqualifica a experiência espaço-visual surda. Os resultados evidenciam que o território surdo se desdobra em territorialidade linguística, saberes visuais-espaciais e formas dissidentes de numeramento. Conclui-se que a bibliografia utilizada neste trabalho indica a legitimidade epistemológica da Libras desestabiliza os requisitos de admissão do campo científico, constituindo um gesto político de contracolonização indispensável para uma ciência inclusiva e aberta a saberes insurgentes.

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Biografia do Autor

  • Edmarcius Carvalho Novaes, Universidade Vale do Rio Doce

    Doutor Interdisciplinar em Ciências Humanas (UFSC). Professor e Pesquisador integrante do corpo permanente do Mestrado Acadêmico em Gestão Integrada do Território e do Mestrado Profissional em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades da Universidade Vale do Rio Doce. 

  • Renata Bernardes Faria Campos, Universidade Vale do Rio Doce

    Doutora em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa. Professora e Pesquisadora integrante do corpo permanente do Mestrado Acadêmico em Gestão Integrada do Território e do Mestrado Profissional em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades da Universidade Vale do Rio Doce.

  • Caroline Monalisa da Silva Oliveira, Universidade Vale do Rio Doce

    Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce. Mestranda em Gestão Integrada de Território pela Universidade Vale do Rio Doce. 

  • Jakson Fonseca de Souza, Universidade Vale do Rio Doce

    Bacharel em Direito pela Universidade Vale do Rio Doce. Mestrando em Gestão Integrada de Território pela Universidade Vale do Rio Doce. 

  • Márcio Frutuoso da Silva, Universidade Vale do Rio Doce

    Bacharel em Direito pelo Centro Universitário do Leste de Minas. Mestrando em Gestão Integrada de Território pela Universidade Vale do Rio Doce. 

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Publicado

2026-08-20

Como Citar

Novaes, E. C., Campos, R. B. F., Oliveira, C. M. da S., Souza, J. F. de, & Silva, M. F. da. (2026). ENTRE O SILÊNCIO E A VOZ: EPISTEMOLOGIAS DISSIDENTES, SURDEZ E PRÁTICAS DE NUMERAMENTO. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 12(8), 1-13. https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29736

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