DA OPOSIÇÃO À COMPLEMENTARIDADE: CRITÉRIOS EPISTEMOLÓGICOS PARA A ESCOLHA E A INTEGRAÇÃO DE MÉTODOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.29327Palavras-chave:
Epistemologia, Pesquisa qualitativa, Métodos mistos, Qualidade da inferência, Ensino em saúdeResumo
Este ensaio teórico examina os fundamentos epistemológicos da oposição entre abordagens qualitativas e quantitativas nas ciências humanas, sociais e da saúde, com ênfase nas condições que legitimam sua integração. Parte da constatação de que o diagnóstico da artificialidade dessa dicotomia está estabelecido na literatura internacional desde o fim da década de 1980 e foi formulado no Brasil, por Minayo MCS e Sanches O (1993), sem alterar significativamente a prática de pesquisa. Sustenta-se que essa persistência decorre da inexistência de critérios decisórios capazes de traduzir o debate epistemológico em escolhas concretas de desenho de pesquisa. O estudo reconstitui a genealogia do dilema, da controvérsia oitocentista sobre o método, os conflitos de paradigmas, distingue paradigma, método, técnica e desenho, e assume o realismo crítico como posição meta-teórica que autoriza a integração. Como contribuição, propõe critérios epistemológicos operacionais organizados em quatro etapas decisórias com regra de precedência e fluxograma de aplicação. Diferentemente dos instrumentos disponíveis, que orientam a integração e avaliam sua qualidade, o conjunto proposto opera antes da decisão e admite que, em determinados casos, a resposta correta é não integrar. Os critérios são demonstrados em dois casos, entre eles o próprio ensaio. Conclui-se que a oposição somente se sustenta quando referentes ontológicos incomensuráveis são explicitamente assumidos e que, fora desse caso restrito, o eixo do debate deve ser a qualidade da inferência.
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