TRANSCRIAÇÃO POÉTICO-MUSICAL: MANIFESTO DE UMA ESCRITA ENTRE POEMAS, CANÇÕES E EXPERIÊNCIAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31094Palabras clave:
Transcriação poético-musical, Poesia contemporânea, Haroldo de Campos, Música, ExperiênciaResumen
Este artigo-manifesto formula a transcriação poético-musical como princípio de uma prática autoral em que poemas nascem do encontro entre experiência vivida, memória, canção e linguagem. Partindo do conceito de transcriação desenvolvido por Haroldo de Campos, propõe-se um deslocamento: da recriação entre línguas para a passagem entre sistemas artísticos e existenciais. A música, nessa poética, não funciona como ilustração, epígrafe ornamental ou trilha acrescentada posteriormente; participa da gênese, da estrutura, do ritmo e do campo afetivo do poema. O estudo adota um percurso qualitativo e interpretativo de leitura retrospectiva, articulando reflexão estética, crítica literária e escrita de manifesto, sem prescrever um método de criação. Analisa seis poemas de Rodrigo Buzati Ferraz: “Quarto 310”, “O Bistrô”, “Emocionário de nós”, “Anima”, “Ponte Pênsil” e “Tênis Poesia”. Cinco deles permitem discutir relações poético-musicais com diferentes graus de explicitude; “Anima” funciona como contraste para delimitar a categoria diante da transcriação do conceito, do vivido e da escolha. Defende-se que transcriar poeticamente não é reproduzir uma canção nem relatar fielmente um acontecimento, mas fazer passar sua força estética para outra configuração verbal. A música sobrevive no poema transformada em atmosfera, ritmo, imagem, montagem, silêncio ou contraponto. O artigo conclui com princípios de uma escrita que assume a canção como memória ativa e o poema como forma de devolver ao vivido uma existência estética.
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