DO CANGAÇO ÀS FACÇÕES: JUVENTUDE, SEDUÇÃO DO PODER E POLÍTICAS PÚBLICAS NO SERTÃO E NAS PERIFERIAS DO NORDESTE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30785Palabras clave:
Cangaço, Facções criminosas, Juventude, Nordeste, Violência, Políticas públicas, prevenção, proteção integralResumen
O presente artigo analisa, em perspectiva histórica, sociológica e jurídico-institucional, aproximações e diferenças entre o poder de atração exercido pelo cangaço sobre parcelas da juventude sertaneja e os atuais mecanismos de recrutamento, pertencimento e sedução mobilizados por facções criminosas em territórios vulnerabilizados do Nordeste brasileiro. A comparação não pretende afirmar continuidade histórica direta entre fenômenos distintos. O cangaço desenvolveu-se em condições próprias do sertão nordestino, marcado por estruturas agrárias concentradas, mandonismo local, violência privada, fragilidade institucional e códigos de honra; as facções contemporâneas, por sua vez, articulam mercados ilícitos, prisões, redes urbanas e digitais, controle territorial e economias criminais de escala muito mais ampla. O ponto de contato investigado está na capacidade de organizações armadas produzirem símbolos de prestígio, proteção, identidade, renda e reconhecimento em contextos nos quais o Estado é percebido como ausente, descontínuo ou predominantemente repressivo. Sustenta-se que a adesão juvenil não pode ser explicada por uma causa única nem confundida com simples pobreza: ela decorre da interação entre desigualdades, rupturas escolares, precariedade do trabalho, exposição cotidiana à violência, busca de pertencimento, circulação de armas, mercados ilegais, encarceramento e déficits de políticas públicas. À luz do art. 227 da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Sinase, conclui-se que o enfrentamento sustentável exige repressão qualificada às estruturas econômicas e armadas do crime, combinada com prevenção social territorializada, escola em tempo integral, proteção a ameaçados, saúde mental, cultura, esporte, profissionalização, políticas de renda, urbanismo, inteligência policial, reinserção de egressos e governança intersetorial baseada em evidências.
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