ESTRATÉGIAS CONTEMPORÂNEAS PARA PREVENÇÃO DE AMPUTAÇÕES NO PÉ DIABÉTICO: AVANÇOS NO MANEJO DE FERIDAS, DIAGNÓSTICO PRECOCE E ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29715Palabras clave:
Pé Diabético. Úlcera do Pé Diabético. Amputação. Cicatrização de Feridas.Resumen
O pé diabético constitui uma das principais complicações crônicas do diabetes mellitus, caracterizado pela interação entre neuropatia periférica, doença arterial periférica, alterações biomecânicas e processos infecciosos, fatores que favorecem o desenvolvimento de ulcerações, comprometem a cicatrização e podem culminar em amputações dos membros inferiores. Diante da complexidade dessa condição e dos avanços relacionados à identificação do pé em risco, ao tratamento de feridas e às estratégias de preservação do membro, o presente estudo objetivou realizar uma revisão narrativa da literatura acerca das estratégias contemporâneas para prevenção de amputações no pé diabético, com ênfase no diagnóstico precoce, na estratificação de risco, no manejo das úlceras e na abordagem multidisciplinar. Trata-se de uma revisão narrativa, de caráter descritivo e qualitativo, realizada por meio das bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase e SciELO, incluindo ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões sistemáticas, metanálises e diretrizes clínicas publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas português e inglês. Os resultados evidenciaram que a prevenção da progressão do pé diabético está diretamente relacionada ao rastreamento periódico, à identificação da perda da sensibilidade protetora, à avaliação da doença arterial periférica e à estratificação individualizada do risco, possibilitando intervenções antes do estabelecimento de complicações avançadas. Na presença de ulcerações, destacaram-se a avaliação da perfusão e da gravidade da lesão, o reconhecimento precoce de infecção e osteomielite e a adoção integrada de estratégias como desbridamento, offloading, controle da infecção e escolha adequada de coberturas. A avaliação vascular e a revascularização, quando indicadas, mostraram-se componentes fundamentais no manejo do membro isquêmico, enquanto terapias avançadas para cicatrização apresentam aplicabilidade complementar em situações selecionadas. Observou-se ainda que a integração entre endocrinologia, cirurgia vascular, infectologia, ortopedia, enfermagem, podologia e demais áreas envolvidas possibilita uma abordagem simultânea dos fatores metabólicos, vasculares, infecciosos e biomecânicos. Conclui-se que a prevenção de amputações depende da combinação entre diagnóstico precoce, estratificação de risco, manejo individualizado das úlceras e assistência multidisciplinar coordenada, sendo necessários protocolos estruturados e acompanhamento contínuo para favorecer a cicatrização, preservar a funcionalidade do membro e reduzir a progressão para complicações irreversíveis.
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