PARASITOSES INTESTINAIS E CONDIÇÕES DE SANEAMENTO NO VALE DO SÃO FRANCISCO: ANÁLISE DA CARGA DE DOENÇA E IMPLICAÇÕES PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30007Palavras-chave:
Parasitoses. Vale do São Francisco. Sistema Único de Saúde. Saneamento Básico. Determinação Social da Saúde.Resumo
Objetivo: Analisar a magnitude das parasitoses intestinais e suas relações com as condições de saneamento básico nos municípios da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento (RIDE) do Polo Petrolina e Juazeiro, Vale do São Francisco, e discutir as implicações para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo ecológico, descritivo-analítico, com abordagem quantitativa e análise de série temporal, utilizando dados secundários do Censo Demográfico 2022 (IBGE), do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2012-2022), do DATASUS e de levantamentos parasitológicos publicados na literatura científica. Foram analisados indicadores de abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de resíduos sólidos e prevalência de enteroparasitoses. A análise compreendeu estatística descritiva, análise de tendência temporal e correlação ecológica de Spearman entre indicadores de saneamento e parasitoses. Resultados: A RIDE abriga aproximadamente 700 mil habitantes. Em Petrolina, 83% da população possui acesso ao abastecimento de água e 64,7% ao esgotamento sanitário; entretanto, 17,6% dos habitantes utilizam fossas rudimentares ou buracos, e 921 pessoas não dispõem de banheiro. Em Juazeiro, o atendimento urbano de água oscila entre 93% e 100%, com índice de tratamento de esgoto acima de 80%. A literatura regional registra prevalência de enteroparasitoses entre 22% e 57%, com predomínio de protozoários (Entamoeba coli, Endolimax nana, Giardia lamblia) e ancilostomídeos. A ausência de Trichuris trichiura e baixa frequência de Ascaris lumbricoides nas áreas mais áridas sugerem influência climática na distribuição dos geohelmintos. A correlação ecológica indicou associação inversa entre cobertura de esgotamento sanitário e prevalência de parasitoses (rs = -0,72; p < 0,05). Conclusão: A persistência de parasitoses intestinais no Vale do São Francisco reflete desigualdades estruturais em saneamento. A organização do SUS na região demanda integração entre vigilância epidemiológica, políticas de saneamento e atenção primária, conforme preconizam as diretrizes das sociedades médicas brasileiras.
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