PARASITOSES INTESTINAIS E CONDIÇÕES DE SANEAMENTO NO VALE DO SÃO FRANCISCO: ANÁLISE DA CARGA DE DOENÇA E IMPLICAÇÕES PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

Autores

  • Leonardo Diego Lins UNEB
  • Welber da Costa Pina UNEB
  • Meridiana Araújo Gonçalves UNEB
  • Jannine Maria Carvalho Silva PPGEcoH
  • Rafaela Menezes de Aguiar Silva UNEB
  • Risoneide de Cássia Zeferino Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30007

Palavras-chave:

Parasitoses. Vale do São Francisco. Sistema Único de Saúde. Saneamento Básico. Determinação Social da Saúde.

Resumo

Objetivo: Analisar a magnitude das parasitoses intestinais e suas relações com as condições de saneamento básico nos municípios da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento (RIDE) do Polo Petrolina e Juazeiro, Vale do São Francisco, e discutir as implicações para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo ecológico, descritivo-analítico, com abordagem quantitativa e análise de série temporal, utilizando dados secundários do Censo Demográfico 2022 (IBGE), do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2012-2022), do DATASUS e de levantamentos parasitológicos publicados na literatura científica. Foram analisados indicadores de abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de resíduos sólidos e prevalência de enteroparasitoses. A análise compreendeu estatística descritiva, análise de tendência temporal e correlação ecológica de Spearman entre indicadores de saneamento e parasitoses. Resultados: A RIDE abriga aproximadamente 700 mil habitantes. Em Petrolina, 83% da população possui acesso ao abastecimento de água e 64,7% ao esgotamento sanitário; entretanto, 17,6% dos habitantes utilizam fossas rudimentares ou buracos, e 921 pessoas não dispõem de banheiro. Em Juazeiro, o atendimento urbano de água oscila entre 93% e 100%, com índice de tratamento de esgoto acima de 80%. A literatura regional registra prevalência de enteroparasitoses entre 22% e 57%, com predomínio de protozoários (Entamoeba coli, Endolimax nana, Giardia lamblia) e ancilostomídeos. A ausência de Trichuris trichiura e baixa frequência de Ascaris lumbricoides nas áreas mais áridas sugerem influência climática na distribuição dos geohelmintos. A correlação ecológica indicou associação inversa entre cobertura de esgotamento sanitário e prevalência de parasitoses (rs = -0,72; p < 0,05). Conclusão: A persistência de parasitoses intestinais no Vale do São Francisco reflete desigualdades estruturais em saneamento. A organização do SUS na região demanda integração entre vigilância epidemiológica, políticas de saneamento e atenção primária, conforme preconizam as diretrizes das sociedades médicas brasileiras.

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Biografia do Autor

Leonardo Diego Lins, UNEB

Doutor em Educação e Contemporaneidade. Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental – PPGEcoH. 

Welber da Costa Pina, UNEB

Doutor em Ciências Biológicas. Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia – UNEB.

Meridiana Araújo Gonçalves, UNEB

Pós-Doutora em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental – PPGEcoH. Professora da Universidade do Estado da Bahia – UNEB.

Jannine Maria Carvalho Silva, PPGEcoH

Doutoranda em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental – PPGEcoH. 

Rafaela Menezes de Aguiar Silva, UNEB

Engenheira de Bioprocessos e Biotecnologia. Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Coordenadora de Pesquisa, Laboratório Agrios Biotecnologia Vegetal, Petrolina, Pernambuco, Brasil. 

Risoneide de Cássia Zeferino Silva, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Doutora em Fitopatologia. Analista do Laboratório de Nematologia (Agrios). Universidade Federal Rural de Pernambuco. 

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Publicado

2026-09-09

Como Citar

Lins, L. D., Pina, W. da C., Gonçalves, M. A., Silva, J. M. C., Silva, R. M. de A., & Silva, R. de C. Z. (2026). PARASITOSES INTESTINAIS E CONDIÇÕES DE SANEAMENTO NO VALE DO SÃO FRANCISCO: ANÁLISE DA CARGA DE DOENÇA E IMPLICAÇÕES PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 12(9), 1–14. https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30007