DA RAZÃO INSTRUMENTAL À RACIONALIDADE NEOLIBERAL: A RECONFIGURAÇÃO DOS FINS DA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29946Palavras-chave:
Racionalidade neoliberal. Razão instrumental. Educação.Resumo
Este artigo analisa a relação entre neoliberalismo e educação a partir da hipótese de que sua incidência sobre o campo educacional não se restringe à introdução de mecanismos mercadológicos ou empresariais, mas alcança a própria racionalidade pela qual os fins da formação são determinados. Por meio de pesquisa bibliográfica e de caráter teórico-conceitual, retomam-se as contribuições de Max Horkheimer e Theodor Adorno sobre a atrofia da razão sob o predomínio de sua dimensão instrumental, articulando-as às análises de Pierre Dardot e Christian Laval acerca da racionalidade neoliberal. Argumenta-se que a generalização da concorrência como norma de conduta e da empresa como modelo de subjetivação radicaliza tendências da racionalidade instrumental ao produzir o sujeito empresarial, responsável pela administração e valorização contínua de seu próprio capital humano. No campo educacional, esse movimento reconfigura categorias como autonomia, protagonismo, aprendizagem permanente e formação, subordinando-as progressivamente aos imperativos de adaptação, desempenho, empregabilidade e autogestão. Conclui-se que o problema central não reside na ausência de finalidades educacionais, mas na naturalização de fins socialmente determinados que tendem a identificar formação com adaptação eficiente à realidade existente.
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