FUNK, JUVENTUDE E CULTURA QUILOMBOLA EM HELVÉCIA: ENTRE A TRADIÇÃO E AS NOVAS FORMAS DE PERTENCIMENTO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29869Palavras-chave:
Juventude. Funk. Cultura quilombola.Resumo
Este artigo analisa as relações entre juventude, funk e cultura quilombola na comunidade de Helvécia, no Extremo Sul da Bahia, a partir da experiência do grupo Os Brutos. Parte-se da compreensão de que as culturas tradicionais são dinâmicas, constituídas por permanências, transformações e ressignificações realizadas pelos próprios sujeitos. A pesquisa utilizou procedimentos etnográficos e bibliográficos, articulados à produção de um documentário como produto educacional. A etnografia envolveu participação em eventos, entrevistas com jovens e moradores mais velhos, registros fotográficos e audiovisuais e observação do espaço virtual utilizado pelo grupo. Os resultados evidenciam um movimento de continuidade e transformação da cultura quilombola. Embora alguns jovens não participem diretamente de práticas tradicionais, como a preparação do “Vô Véi” e a brincadeira de Mouros e Cristãos, mantêm vínculos com a comunidade e participam da puxada do mastro de São Sebastião, reconhecendo-a como prática de fé, pertencimento e proteção. Nesse contexto, o funk constitui uma forma de sociabilidade, expressão e pertencimento juvenil, sem representar necessariamente ruptura com a identidade quilombola. Conclui-se que a experiência dos Brutos contribui para superar visões folclorizadas da tradição e compreender a cultura quilombola como dinâmica, híbrida e continuamente reconstruída.
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