A LÓGICA DA EXCEÇÃO E O OLHAR SOBRE A MULHER NEGRA: RACISMO ESTÉTICO, EPISTÊMICO E RELAÇÕES DE PODER
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29734Palavras-chave:
Mulher negra. Racismo estrutural. Racismo epistêmico. Educação antirracista. Reconhecimento condicionado.Resumo
O racismo no Brasil manifesta-se por meio de mecanismos explícitos e sutis que produzem desigualdades sociais, simbólicas e epistemológicas, incidindo de forma particular sobre a experiência das mulheres negras. Neste contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar como a lógica da exceção, o racismo estético e o racismo epistêmico atuam na construção das experiências sociais das mulheres negras brasileiras, especialmente nos campos da educação, das relações afetivas e do reconhecimento social. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e interpretativa, fundamentada em revisão bibliográfica e narrativa autobiográfica crítica, articulando contribuições do feminismo negro, dos estudos decoloniais e da educação antirracista. O estudo evidencia que a aceitação social da mulher negra ocorre frequentemente de forma condicionada, vinculada ao fenótipo, à escolarização, aos padrões estéticos racializados e às relações inter-raciais, configurando mecanismos contemporâneos de manutenção das desigualdades raciais. Os resultados demonstram que o racismo opera não apenas pela exclusão direta, mas também por processos seletivos de tolerância e reconhecimento, que legitimam determinadas trajetórias negras enquanto invisibilizam outras. Conclui-se que a lógica da exceção constitui uma estratégia de reprodução do racismo estrutural, reforçando hierarquias raciais, estéticas e epistêmicas, o que evidencia a necessidade de fortalecimento de práticas educacionais antirracistas e de reconhecimento das mulheres negras como sujeitas de conhecimento e transformação social.
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