RUSFERTIDE: UMA NOVA ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA PARA O CONTROLE DA POLICITEMIA VERA E REDUÇÃO DA DEPENDÊNCIA DE FLEBOTOMIAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30294Palabras clave:
Policitemia vera. Rusfertide. Hepcidina. Ferroportina. Flebotomia.Resumen
A policitemia vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica, associada em mais de 95% dos casos à mutação JAK2 V617F, caracterizada por eritrocitose persistente e risco aumentado de eventos trombóticos. O tratamento padrão baseia-se na flebotomia terapêutica, com ou sem citorredução, para manter o hematócrito abaixo de 45%; contudo, essa abordagem é limitada pela indução ou agravamento de deficiência de ferro, pelo controle hematológico incompleto entre as sessões e pelo impacto negativo na qualidade de vida. O rusfertide é um peptídeo mimético da hepcidina, hormônio regulador central do metabolismo do ferro, que atua bloqueando a ferroportina e restringindo a disponibilidade de ferro para a eritropoiese, funcionando como uma “flebotomia química”. Este trabalho constitui uma revisão de literatura que teve como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis sobre o uso do rusfertide como estratégia terapêutica para o controle da PV e a redução da dependência de flebotomias. Foram selecionados cinco artigos científicos indexados na base PubMed, contemplando o ensaio clínico fundamental de fase 2 (REVIVE), estudos sobre a fisiopatologia do ferro na PV, revisões sobre o eixo hepcidina-ferroportina e sobre as limitações da flebotomia como terapia isolada. Os resultados demonstram que o rusfertide promove controle hematológico superior ao placebo, redução expressiva e sustentada da frequência de flebotomias e melhora de sintomas relacionados à doença, com perfil de segurança favorável. Entretanto, ainda não há evidências definitivas de que esse controle hematológico se traduza em redução de eventos trombóticos ou em modificação da história natural da doença, o que reforça a necessidade de estudos de fase 3 e de seguimento em longo prazo. Conclui-se que o rusfertide representa um avanço relevante no arsenal terapêutico da PV, especialmente para pacientes dependentes de flebotomia, embora seu real impacto sobre desfechos clínicos duros permaneça em investigação.
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