CISTICERCOSE BOVINA E SANEMANTO: FATORES DE RISCO E ANÁLISE GEOESPACIAL DE PREVALÊNCIA NA CADEIA PRODUTIVA DA CARNE BOVINA NO SUL DO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i2.24410Keywords:
Segurança alimentar. Taenia saginata. Inspeção post-mortem. Análise geoespacial. Saneamento.Abstract
A cisticercose bovina configura-se como uma zoonose parasitária de grande relevância, rotineiramente detectada na inspeção sanitária post-mortem nos frigoríficos. Seu impacto vai além da saúde pública, afetando diretamente a cadeia produtiva da carne. Este estudo analisou a prevalência, a distribuição geoespacial e os fatores de risco da cisticercose bovina no estado do Paraná. Para isso, integraram-se registros oficiais do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), referentes ao abate de mais de 1 milhão de bovinos entre 2018 e 2020, além de indicadores socioeconômicos e sanitários do IBGE. Os resultados revelaram uma prevalência de 0,14%, sendo que a análise de 18.665 animais oriundos de lotes afetados permitiu estabelecer correlações demográficas e ambientais precisas. Geograficamente, identificou-se a formação de aglomerados de alta prevalência nas regiões Centro-Norte (em municípios como Paiçandu, Ourizona e Floraí) e Sul (notadamente em Enéas Marques e Planalto). Um achado crucial foi a correlação positiva (ρ=0,19; p=0,0057) entre a ocorrência da doença e a aplicação de soluções individuais de esgoto, como fossas sépticas e rudimentares. Notou-se, ainda, que o sexo do hospedeiro influencia o estado das lesões: fêmeas apresentaram maior índice de calcificação, o que sugere um tempo de exposição prolongado ao parasita. Os dados reafirmam que a precariedade do saneamento é um dos principais fatores de risco da cisticercose bovina, evidenciando ainda que o uso de dados oficiais para a produção de análises geoespaciais é indispensável para estratégias de controle sanitário mais eficazes e para a segurança do mercado de alimentos.
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