ENTRE O ANTES E O DEPOIS: MEMÓRIA, LUTO E CONTINUIDADE DA VIDA EM A BALADA DE TIM BERNARDES
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31256Palavras-chave:
Luto, Memória, Música, Saúde mental, Vínculos continuadosResumo
A Balada de Tim Bernardes, lançada no álbum Mil Coisas Invisíveis em 2022, articula a lembrança da avó a reflexões sobre tempo, amadurecimento, cuidado de si e continuidade da vida. Este ensaio tem como objetivo discutir as relações entre memória, luto, amadurecimento e continuidade da vida presentes na canção, articulando sua interpretação a uma experiência autobiográfica de escuta. Trata-se de um ensaio teórico-interpretativo, desenvolvido por meio da leitura integral da letra e de escutas reiteradas da obra, a partir das quais foram organizados três eixos: a memória da avó e a continuidade do vínculo; o tempo, o amadurecimento e a transformação; e o canto, o cuidado de si e a continuidade da vida. A reflexão dialoga com a perspectiva dos vínculos continuados, com a compreensão do luto como atividade interpretativa e comunicativa e com estudos sobre a participação da música na experiência cotidiana. A análise sugere que a memória da avó não se opõe à transformação daquele que continua vivendo, mas participa dela. O canto, por sua vez, não aparece depois da resolução dos conflitos, mas no interior das contradições entre memória, desejo, inquietação e mudança. Conclui-se que a canção permite refletir, no campo da saúde mental, sobre formas culturais de narrar a perda e sobre a possibilidade de continuar vivendo sem que isso implique apagar os vínculos com quem morreu.
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