DA GUERRA À RECUPERAÇÃO: BIODIVERSIDADE, DEFAUNAÇÃO E RESILIÊNCIA ECOLÓGICA NO PARQUE NACIONAL DO BICUAR, ANGOLA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30717Palavras-chave:
Parque Nacional do Bicuar, Conservação pós-conflito, DefaunaçãoResumo
Este artigo buscou sintetizar a evidência disponível sobre a recuperação ecológica pós-conflito no Parque Nacional do Bicuar (Huíla, sudoeste de Angola; ≈7 900 km²). Realizou-se uma revisão narrativa ponderada pela evidência, integrando dados históricos, armadilhagem fotográfica e modelação de ocupação (2015–2023) e literatura recente sobre vegetação, mamíferos, aves e herpetofauna, com uma hierarquia explícita de evidência (directa, indirecta e inferência). Quatro décadas de guerra civil (1961–2002) associaram-se a uma defaunação severa, com perda ou forte redução de cerca de 40% das espécies históricas de mamíferos de médio e grande porte. A vegetação revelou baixa diversidade arbórea local (48 espécies e 18 famílias em 15 parcelas de um hectare), mas elevada singularidade florística, com 27 espécies ausentes dos locais de comparação. A ocupação evidencia tendência positiva em 17 de 27 espécies focais, mas grandes carnívoros, ungulados migradores e elefantes permanecem fortemente depauperados. Conclui-se que o Bicuar representa uma recuperação real, mas assimétrica, em que a recuperação natural deve ser complementada por restauro activo, baseado na evidência e sequenciado com cautela.
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