MATEMÁTICA FINANCEIRA E MICROCRÉDITO INFORMAL: ANÁLISE DAS PRÁTICAS DE KIXIKILA E ZUNGA NO MUNICÍPIO DA QUIBALA COMO SISTEMAS FINANCEIROS ALTERNATIVOS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.29939Palavras-chave:
Matemática Financeira. Kixikila. Zunga. Microcrédito informal. Inclusão financeira. Literacia financeira. Angola. Quibala.Resumo
O presente artigo investiga as práticas de kixikila e zungu no município da Quibala, Cuanza-Sul, Angola, como sistemas alternativos de microcrédito e poupança informal, analisando-as através dos instrumentos da Matemática Financeira. O objectivo central é revelar, com rigor matemático, o custo real do crédito informal nestas estruturas comunitárias, comparando-o com as alternativas formais disponíveis, e avaliar o seu papel como mecanismo de inclusão financeira para populações excluídas do sistema bancário convencional. Adoptando uma metodologia mista, foram aplicados questionários a 80 participantes activos em kixikilas e zungu no município e realizadas entrevistas semiestruturadas a 12 organizadoras destes sistemas. Os resultados revelam que, embora as taxas de juro implícitas nestas práticas sejam frequentemente superiores às do crédito bancário formal, com taxas efectivas anuais que variam entre 24% e 144% o acesso facilitado, a ausência de garantias formais e a confiança comunitária tornam estes sistemas racionalmente preferíveis para a maioria dos participantes. O estudo demonstra que a aplicação pedagógica de conceitos de Matemática Financeira, como juro simples, juro composto, taxa efectiva e valor actual, pode transformar estas práticas de ferramentas de vulnerabilidade em instrumentos de empoderamento financeiro. São propostas recomendações para a integração da literacia financeira nos programas de educação não-formal e nos modelos de microfinanças em Angola.
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