DÉFICES DE INFRAESTRUTURA SOCIAL EM CIDADES AFRICANAS INTERMÉDIAS: UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA DA ESCASSEZ DE TRANSPORTE E LAZER NO QUIBALA, ANGOLA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29517Palavras-chave:
Infraestrutura social. Transporte urbano. Espaços de lazer. Desigualdade espacial. Angola.Resumo
Este estudo analisa o défice de infraestrutura social no bairro Marien Ngoabi, um assentamento periurbano no município do Quibala, província do Cuanza-Sul, Angola. A investigação centra-se em duas dimensões urbanas críticas: a precariedade dos serviços de transporte público e a escassez estrutural de espaços públicos de lazer. Adotando um desenho quantitativo rigoroso, a recolha de dados foi realizada através de um questionário estruturado aplicado a uma amostra aleatória estratificada geograficamente de 120 residentes adultos. Os resultados empíricos demonstram défices extremos: 78,3% dos inquiridos dependem exclusivamente da deslocação a pé como principal modo de transporte para o trabalho ou a escola, devido à ausência total de redes formais de transporte público. Além disso, 84,2% da população avalia as condições locais de transporte como “más” ou “muito más”. Quanto às infraestruturas recreativas, apenas 12,5% dos residentes vivem a menos de 500 metros de qualquer espaço verde ou comunitário funcional. As estatísticas inferenciais revelaram um gradiente socioeconómico significativo: os agregados familiares de menor rendimento encontram-se desproporcionalmente presos à exclusão de mobilidade, enquanto os grupos demográficos mais jovens expressam severa insatisfação face à falta de opções recreativas. O artigo conclui que o bairro enfrenta um défice grave e sobreposto de infraestruturas, propondo orientações de política centradas na gestão urbana participativa e em investimentos locais descentralizados de apoio à governação municipal.
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