TELEMONITORAMENTO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES MELLITUS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E IMPLICAÇÕES PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: REVISÃO NARRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.31744Palavras-chave:
Telemedicina, Hipertensão, Diabetes mellitus tipo 2, Atenção primária à saúde, Sistema Único de SaúdeResumo
Introdução: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) ocupam boa parte da agenda da Atenção Primária à Saúde (APS), e o telemonitoramento vem sendo apontado como uma forma de ampliar o acompanhamento longitudinal desses pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Analisar as evidências sobre efetividade clínica, custo-efetividade, aceitabilidade e barreiras de implementação do telemonitoramento de HAS e DM na APS e discutir o que elas significam para o SUS. Métodos: Revisão narrativa. As buscas foram feitas em setembro de 2026 no PubMed/MEDLINE, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na SciELO, com os descritores telemonitoring, telemedicine, remote patient monitoring, hypertension, diabetes mellitus e primary health care, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram selecionados estudos em português, inglês e espanhol, priorizando ensaios clínicos, metanálises e estudos brasileiros. Resultados: Na HAS, o telemonitoramento reduziu a pressão arterial sistólica em 3,4 a 6,6 mmHg quando veio acompanhado de suporte clínico estruturado, com ajuste de medicação e seguimento pela equipe. Quando se limitou à transmissão de dados, ou quando foi comparado a um cuidado presencial em equipe já bem organizado, não houve diferença. No DM, os achados foram heterogêneos e a maior parte dos ensaios não mostrou efeito sobre a hemoglobina glicada. Entre as barreiras, destacaram-se a exclusão digital de idosos e moradores da zona rural, a sobrecarga das equipes e a falta de integração com o prontuário eletrônico; os estudos brasileiros acrescentaram a falta de equipamentos, a rotatividade de profissionais e a adesão irregular dos usuários. Um ensaio piloto norte-americano sugere que intervenções pensadas para populações sub-representadas podem reduzir a desigualdade no acesso. Conclusão: O telemonitoramento de HAS e DM pode ser útil na APS, desde que esteja vinculado a suporte clínico em equipe. No SUS, sua incorporação depende de investimento em infraestrutura, capacitação das equipes, atenção à equidade digital e de estudos nacionais sobre efetividade e custo.
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