O ENSINO DE HISTÓRIA NA BNCC DO ENSINO MÉDIO: CONHECIMENTO HISTÓRICO, COMPETÊNCIAS E DESAFIOS DA ORGANIZAÇÃO POR ÁREAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31058Palavras-chave:
BNCC, Ensino Médio, Ensino de História, Currículo, Ciências Humanas e Sociais AplicadasResumo
Este artigo analisa o lugar do conhecimento histórico na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, com ênfase na organização da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em suas categorias estruturadoras, competências específicas e habilidades. Retoma e aprofunda questões discutidas em estudo anterior sobre o ensino de História na BNCC do Ensino Médio, deslocando o foco de uma descrição geral do documento para o exame das possibilidades e dos limites que a organização por áreas produz para a especificidade epistemológica e didática da História. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e documental e toma como fontes centrais a BNCC e o artigo anteriormente publicado, preservando o diálogo com autores mobilizados naquela análise, entre eles Apple, Barretto, Benito, Caimi, Sacristán, Tonegutti e Young. Argumenta-se que a BNCC amplia o espaço de operações intelectuais relevantes para o pensamento histórico — identificação, seleção, comparação, contextualização, análise, interpretação, argumentação e crítica de fontes e narrativas — e favorece abordagens interdisciplinares. Ao mesmo tempo, a formulação das competências e habilidades no nível da área, sem explicitação de objetos de conhecimento próprios da História, produz tensões quanto à seleção, progressão e garantia dos conhecimentos históricos escolares. A análise incorpora ainda estudos recentes sobre a reforma do Ensino Médio e sua revisão pela Lei nº 14.945/2024, discutindo os efeitos da carga horária, dos itinerários formativos e das desigualdades de implementação sobre o lugar da História. Conclui-se que a efetivação das potencialidades formativas do documento depende de currículos e práticas pedagógicas capazes de articular interdisciplinaridade, conhecimento disciplinar, trabalho com fontes, temporalidade, alteridade, direitos humanos e formação crítica dos estudantes.
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