RELIGIOSIDADE E CULTURA POPULAR NO CARNAVAL DE SALVADOR: SINCRETISMO, IDENTIDADE E RESISTÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30354Palavras-chave:
Carnaval de Salvador. Religiosidade afro-brasileira. Sincretismo religioso. Blocos afro. Teologia da Libertação.Resumo
O presente artigo analisa a interseção entre religiosidade afro-brasileira, cultura popular e resistência social no Carnaval de Salvador, investigando como os blocos afro e afoxés inscrevem símbolos, corporeidades e princípios litúrgicos do candomblé no espaço público festivo da capital baiana. A pesquisa aborda o sincretismo religioso como uma estratégia histórica de sobrevivência ontológica e salvaguarda cultural, examinando a constituição da identidade negra e a contraposição ativa ao racismo religioso institucionalizado. Em diálogo hermenêutico com a Teologia da Libertação, particularmente a partir das formulações de Leonardo Boff sobre a dignidade dos oprimidos e a defesa da vida, o estudo interpreta a folia de rua como uma arena de libertação, afirmação de direitos e contra-hegemonia. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa orientada pela pesquisa bibliográfica e documental, articulando clássicos das ciências sociais e da religião (Roger Bastide, Pierre Verger, Michel Agier, Reginaldo Prandi, Mikhail Bakhtin, João José Reis e Muniz Sodré) com estudos empíricos e etnográficos contemporâneos (Claudia Novaes Machado e pesquisas sobre as práticas pedagógicas e corporais do Ilê Aiyê). Demonstra-se que o Carnaval soteropolitano transcende o mero entretenimento mercantilizado, configurando-se como um território sagrado e político de preservação ancestral, pedagogia comunitária e produção de espacialidades simbólicas de resistência.
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