RELIGIÃO E HOMOSSEXUALIDADE - REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.29120Palavras-chave:
Religião. Homossexualidade. Inclusão. Homonormatividade.Resumo
Analisamos 46 artigos científicos publicados entre 2015 e 2025 sobre a relação entre religião e homossexualidade, organizando os achados em sete categorias: 1) Homossexualidade, religião e disputas políticas; 2) A “Cura gay”; 3) Homossexuais cristãos; 4) Igrejas cristãs inclusivas; 5) Homossexualidade, religião e colonialismo; 6) Espiritismo e homossexualidade; 7) Homossexualidade e a religião. Observamos que a religião no Brasil funciona como um campo de disputa biopolítica para influenciar o Poder Legislativo e as políticas públicas por meio da instrumentalização da crença por grupos conservadores via secularismo estratégico – traduzindo dogmas em linguagem científica ou jurídica para restringir direitos. Esses discursos promovem pecadologização, patologização e demonização da homossexualidade, gerando sofrimento psíquico, culpa e homofobia internalizada. A literatura identifica dinâmicas diferenciadas de acolhimento: religiões afro-indígenas demonstram maior receptividade e naturalidade frente à diversidade sexual; vertentes cristãs tradicionais e o espiritismo costumam impor mecanismos de controle (castidade, sublimação do desejo). Observa-se também a emergência de igrejas cristãs inclusivas que conciliam espiritualidade e orientação sexual, embora a inclusão nelas possa ser marcada por homonormatividade. O estudo conclui que a religião no Brasil é simultaneamente fonte histórica da homofobia institucional – uma herança colonial – e espaço de resistência e reinvenção do sagrado.
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