AVALIAÇÃO DOS SURTOS DE DOENÇAS DE ORIGEM ALIMENTAR NOTIFICADAS NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO DE 2019 – 2024
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i6.28229Palavras-chave:
Doenças de origem alimentar. Surtos alimentares. Vigilância epidemiológica. Segurança alimentar. Saúde pública.Resumo
As doenças de origem alimentar constituem um importante problema de saúde pública, sendo ocasionadas principalmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou suas toxinas. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos surtos de doenças de origem alimentar na região Nordeste do Brasil, no período de 2019 a 2024, utilizando dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DATASUS. Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, no qual foram analisadas variáveis relacionadas ao número de indivíduos expostos e doentes, aos agentes etiológicos identificados e à distribuição geográfica dos surtos. Os resultados evidenciaram redução no número de casos notificados nos anos de 2020 e 2021, possivelmente associada às medidas sanitárias implementadas durante a pandemia da COVID-19, bem como à ocorrência de possível subnotificação. A partir de 2022, observou-se aumento progressivo das notificações, com destaque para o estado de Pernambuco, que apresentou o maior número de surtos registrados no período analisado. Entre os principais agentes etiológicos identificados destacaram-se Enterobacter spp., Bacillus cereus, Escherichia coli e Salmonella spp., microrganismos frequentemente relacionados à manipulação inadequada dos alimentos, falhas no armazenamento e descumprimento das Boas Práticas de Fabricação. Adicionalmente, verificou-se elevada proporção de surtos com agente etiológico não identificado, evidenciando limitações nos processos de investigação epidemiológica e laboratorial. Conclui-se que as doenças de origem alimentar permanecem recorrentes na região Nordeste, ressaltando a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, educação em saúde, fiscalização sanitária e implementação efetiva das Boas Práticas de Fabricação, visando à prevenção e ao controle desses agravos.
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