RESERVA DE VAGAS PARA COTAS IDENTITÁRIAS: ANÁLISE SOBRE (EX) INCLUSÃO

Autores

  • Cândida da Rosa Schepp Universidade Católica de Pelotas
  • Vitor dos Santos Fialho Universidade da Região da Campanha
  • Maria José Lopes Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
  • Dionatan dos Santos Duarte Anhanguera Educacional S/A
  • Gustavo Moreira Baranano Universidade da Região da Campanha
  • Katiucia Roncatto Soares Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

Cotas identitárias. Inclusão. Discriminação.

Resumo

O trabalho investiga a posição central que o trabalho ocupa na organização social contemporânea, influenciando desde a satisfação pessoal até o acesso ao consumo. Nesse cenário, emerge o debate sobre a meritocracia. Embora exista um consenso de que os indivíduos devem colher os frutos de seu esforço, há uma profunda divergência sobre como isso se concretiza na prática. De um lado, argumenta-se que o esforço individual é autossuficiente, citando exemplos de superação como os de Benjamin Carson e Joaquim Barbosa. De outro, sustenta-se que a desigualdade de oportunidades — evidenciada por fatores como a desnutrição infantil e o comprometimento cognitivo — torna essas trajetórias de sucesso exceções raras e não a regra.

A relevância do tema acentua-se pela polarização política atual, muitas vezes alimentada por algoritmos de redes sociais que isolam indivíduos em bolhas de pensamento, dificultando o diálogo sobre o Direito e a justiça social. Citando Norberto Bobbio, o texto reforça que o Direito é dinâmico e deve se adaptar às mudanças históricas. No Brasil, essa adaptação passa pelo reconhecimento de uma dívida histórica. O país viveu séculos de escravidão onde a população negra foi impedida de acumular patrimônio, enquanto contribuía para a riqueza de seus senhores. O fim do regime escravocrata, marcado por leis como a Lei Áurea, não foi acompanhado de políticas de reparação, perpetuando abismos sociais através do direito sucessório.

Essa realidade é ilustrada pela metáfora do ex-presidente americano Lyndon B. Johnson: não é justo colocar alguém que esteve acorrentado na mesma linha de partida de uma corrida sem considerar o seu histórico de privação. É nesse contexto que as cotas identitárias (raciais, para pessoas com deficiência, trans, entre outras) surgem como objeto de análise jurídica. O estudo propõe-se a entender se tais reservas de vagas são formas de discriminação ou instrumentos de inclusão.

Ao analisar os princípios do Direito e o panorama jurídico vigente, o trabalho conclui que as cotas configuram uma medida de inclusão e promoção da igualdade material. A resposta para o questionamento se "uma desigualdade pode gerar igualdade" é afirmativa: uma desigualdade preexistente e histórica pode — e deve — ser compensada por uma desigualdade de caráter corretivo. Ao permitir que grupos historicamente marginalizados ocupem espaços de prestígio, como universidades e cargos públicos, o sistema de cotas combate o preconceito estrutural e promove o reconhecimento digno desses indivíduos perante a sociedade.

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Biografia do Autor

Cândida da Rosa Schepp, Universidade Católica de Pelotas

Direito. Universidade Católica de Pelotas.

Vitor dos Santos Fialho, Universidade da Região da Campanha

Farmácia E Bioquímica .  URCAMP - Universidade da região da campanha.

Maria José Lopes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Direito. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Dionatan dos Santos Duarte, Anhanguera Educacional S/A

Direito. Anhanguera Educacional S/A.

Gustavo Moreira Baranano, Universidade da Região da Campanha

Direito. URCAMP - Universidade da região da campanha.

Katiucia Roncatto Soares, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul

Licenciatura em Matemática. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul.

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Publicado

2026-03-13

Como Citar

Schepp, C. da R., Fialho, V. dos S., Lopes, M. J., Duarte, D. dos S., Baranano, G. M., & Soares, K. R. (2026). RESERVA DE VAGAS PARA COTAS IDENTITÁRIAS: ANÁLISE SOBRE (EX) INCLUSÃO. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 9–63. Recuperado de https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/24405

Edição

Seção

E-books

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