MANEJO CLÍNICO-CIRÚRGICO DO FEOCROMOCITOMA ADRENAL ESPORÁDICO SUBMETIDO A ADRENALECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA: RELATO DE CASO E REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.31724Palavras-chave:
Feocromocitoma, Neoplasias das glândulas suprarrenais, Adrenalectomia, Bloqueadores dos receptores alfa-adrenérgicos, Relatos de casosResumo
Introdução: O feocromocitoma é uma neoplasia neuroendócrina rara originada das células cromafins da medula adrenal, produtora de catecolaminas, cuja prevalência entre portadores de hipertensão arterial varia de 0,1% a 0,6% e atinge até 11% a 14% dos incidentalomas adrenais (ROMÁN-GONZÁLEZ; PADILLA-ZAMBRANO; VÁSQUEZ JIMÉNEZ, 2021; ANDRADE et al., 2022). Embora represente uma causa potencialmente curável de hipertensão arterial secundária, o atraso diagnóstico expõe o paciente a elevada morbimortalidade cardiovascular e crises adrenérgicas potencialmente fatais durante procedimentos anestésico-cirúrgicos (PEREIRA et al., 2004). Relato do Caso: Relata-se o caso de uma paciente de 44 anos encaminhada por hipertensão arterial secundária refratária de comportamento lábil associada à tríade clássica de paroxismos de cefaleia pulsátil, sudorese profusa e palpitações taquicárdicas, com piora pressórica paradoxal após uso prévio de betabloqueador isolado. A investigação bioquímica revelou elevação expressiva das metanefrinas fracionadas plasmáticas (normetanefrina livre de 1.480 pg/mL e metanefrina livre de 410 pg/mL) e urinárias de 24 horas (normetanefrina de 3.120 mcg/24h e metanefrina de 1.150 mcg/24h), confirmando hipersecreção catecolaminérgica mista (LENDERS et al., 2014). A tomografia computadorizada com protocolo para adrenal e a ressonância magnética identificaram massa sólida na glândula suprarrenal esquerda medindo 4,6 x 4,1 cm, com atenuação pré-contraste de 36 Unidades Hounsfield (UH), washout absoluto de 48,7% e acentuado hipersinal ponderado em T2. Após preparo farmacológico pré-operatório de 14 dias com bloqueio alfa-1 adrenérgico seletivo titulado com doxazosina (até 12 mg/dia), expansão volêmica com dieta hipernatrêmica e introdução sequencial de betabloqueador cardiosseletivo (atenolol 50 mg/dia) até o cumprimento dos critérios de Roizen, a paciente foi submetida a adrenalectomia total videolaparoscópica transperitoneal esquerda. O intraoperatório transcorreu com estabilidade hemodinâmica, apresentando pico pressórico transitório durante a manipulação tumoral prontamente revertido com nitroprussiato de sódio, sem hipotensão refratária após a ligadura precoce da veia adrenal principal esquerda. O exame anatomopatológico e imuno-histoquímico confirmou feocromocitoma adrenal (cromogranina A, sinaptofisina, INSM1 e GATA3 positivos, expressão preservada de SDHB, Ki-67 de 1,5%, escore PASS de 3 pontos e escore GAPP de 2 pontos — bem diferenciado), com painel genético germinativo negativo para mutações patogênicas (WACHTEL et al., 2020; METE et al., 2022). No seguimento de 12 meses, a paciente manteve remissão bioquímica completa e normotensão sem necessidade de anti-hipertensivos. Conclusão: O manejo bem-sucedido do feocromocitoma exige suspeição clínica precoce, confirmação bioquímica por metanefrinas fracionadas, preparo alfa-adrenérgico rigoroso antes da intervenção cirúrgica minimamente invasiva e vigilância longitudinal prolongada diante do potencial metastático inerente às neoplasias cromafins (PLOUIN et al., 2016).
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