O COMÉRCIO INVISÍVEL DE VIDAS: PERFIL DAS VÍTIMAS E DINÂMICA TERRITORIAL DO TRÁFICO DE PESSOAS NO BRASIL, 2021–2025
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31489Palavras-chave:
Tráfico de pessoas, Violência, Vigilância em saúde, Desigualdades territoriais, Direitos humanosResumo
Objetivo: analisar a evolução temporal, o perfil das vítimas e a distribuição territorial dos registros de tráfico de pessoas no Brasil entre 2021 e 2025. Método: estudo ecológico, descritivo e documental baseado nas tabelas históricas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 e, para a caracterização sociodemográfica, em relatórios nacionais oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Foram calculados números absolutos, variações anuais, proporções e agregações por macrorregião e unidade da Federação. Resultados: o Sistema Único de Saúde registrou 1.532 notificações no quinquênio, com pico em 2023 (449) e novo crescimento em 2025 (433). Nordeste, Sudeste e Sul concentraram 87,9% das notificações; Rio Grande do Sul, Bahia e São Paulo reuniram 48,6% do total. A Polícia Federal instaurou 572 inquéritos, dos quais 33,2% em São Paulo. O perfil variou segundo a porta de entrada: mulheres e meninas predominaram nos canais de denúncia e na saúde, enquanto homens foram maioria na assistência jurídica e nos registros ligados à exploração laboral. Em 2024, pessoas negras corresponderam a 56,6% das notificações de saúde. Conclusão: a dinâmica territorial é heterogênea e sensível à capacidade de identificação institucional. A prevenção exige integração de dados, vigilância territorial, proteção social e respostas diferenciadas por sexo, idade, raça/cor e modalidade de exploração.
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