FATORES PREDITORES PARA A TRANSIÇÃO DA PSORÍASE CUTÂNEA PARA A ARTRITE PSORIÁSICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28954Palavras-chave:
Psoríase. Artrite Psoriásica. Fatores de Risco. Diagnóstico Precoce. Revisão Integrativa.Resumo
A psoríase é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que se manifesta predominantemente na pele, porém apresenta risco significativo de progressão para manifestações musculoesqueléticas. A transição da psoríase cutânea para a artrite psoriásica representa um marco relevante na evolução natural da doença, estando associada ao comprometimento da qualidade de vida, redução da capacidade funcional e desenvolvimento de danos articulares permanentes. Nesse contexto, a compreensão dos mecanismos envolvidos e dos sinais preditivos que antecedem essa progressão torna-se essencial para a implementação de estratégias de diagnóstico precoce, intervenção terapêutica oportuna e prevenção individualizada. Como objetivo, temos identificar e sintetizar os principais fatores preditores clínicos, imagiológicos, metabólicos e moleculares associados à progressão da psoríase cutânea para a artrite psoriásica, considerando as evidências científicas disponíveis na literatura atual. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada a partir da busca, seleção e análise crítica de estudos científicos disponíveis em bases de dados indexadas. O processo metodológico contemplou a identificação de artigos publicados entre 2010 e 2026, incluindo estudos observacionais, revisões de literatura e pesquisas clínicas relacionadas aos fatores associados à transição da psoríase para a artrite psoriásica. A síntese dos dados considerou a relevância clínica, a consistência estatística e a capacidade preditiva dos marcadores identificados nos diferentes modelos epidemiológicos. Resultados: Os achados evidenciaram que a progressão da psoríase cutânea para a artrite psoriásica apresenta caráter multifatorial, envolvendo a interação entre fatores clínicos, metabólicos, imunológicos e genéticos. Entre os principais preditores clínicos identificados destacaram-se o acometimento ungueal, especialmente pela relação anatômica entre a matriz ungueal e as enteses dos dígitos, o histórico familiar positivo e a maior gravidade das manifestações cutâneas. Além disso, fatores metabólicos modificáveis, como a obesidade e o aumento do Índice de Massa Corporal, demonstraram associação significativa com maior risco de evolução articular. Sintomas prodrômicos, incluindo artralgia inespecífica e fadiga crônica, também foram reconhecidos como sinais de alerta para a presença de inflamação subclínica antecedente ao diagnóstico estabelecido. No campo da avaliação por imagem, a ultrassonografia musculoesquelética com mapeamento Doppler destacou-se como ferramenta relevante para identificar alterações inflamatórias precoces em estruturas articulares e entesíticas antes da manifestação clínica evidente. Entretanto, apesar do avanço no conhecimento molecular, os biomarcadores genéticos e imunológicos ainda apresentam limitações quanto à validação e aplicação isolada na prática clínica. Conclusão: A transição da psoríase cutânea para a artrite psoriásica é influenciada por múltiplos fatores preditivos, com maior destaque para alterações ungueais, gravidade da doença cutânea, obesidade, sintomas prodrômicos e achados inflamatórios subclínicos identificados por métodos de imagem. A integração desses marcadores permite aprimorar a estratificação de risco e favorecer estratégias preventivas na prática dermatológica e reumatológica. Contudo, permanece necessária a validação de novos biomarcadores moleculares e o desenvolvimento de modelos preditivos mais precisos para consolidar uma abordagem personalizada e antecipatória da doença.
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