A POSSÍVEL DECORRÊNCIA DE TEA EM FILHOS DE PAIS QUE UTILIZARAM ANABOLIZANTES NO PERÍODO GESTACIONAL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i8.29937Palavras-chave:
Esteroides. Gestantes. Neurogênese.Resumo
O uso não terapêutico de esteroides anabolizantes androgênicos constitui problema crescente de saúde pública, extrapolando o âmbito esportivo e alcançando homens e mulheres em idade reprodutiva; embora os efeitos cardiovasculares, hepáticos e endócrinos dessas substâncias em usuários adultos estejam razoavelmente documentados, permanece pouco elucidado o seu impacto sobre a prole, sobretudo quando a exposição ocorre no período periconcepcional e gestacional. A investigação justifica-se por duas lacunas convergentes: a escassez de evidências sobre desfechos transgeracionais da exposição a esses hormônios e a limitada circulação, fora dos círculos científicos, de informações que permitam ao usuário dimensionar riscos reprodutivos, considerando que o desenvolvimento fetal é altamente sensível a influências externas e a desequilíbrios do ambiente hormonal. Diante desse quadro, o objetivo geral deste estudo é analisar os efeitos do uso de anabolizantes por indivíduos em idade reprodutiva e sua possível repercussão sobre o desenvolvimento fetal, com ênfase na hipótese de associação com o Transtorno do Espectro Autista (TEA); como objetivos específicos, propõe-se identificar os fatores sociodemográficos e motivacionais associados ao uso e compreender a interface entre o ciclo de esteroides e o desenvolvimento neurológico fetal. Quanto ao método, trata-se de revisão bibliográfica de caráter exploratório, fundamentada em dados secundários, na qual serão consultadas as bases MEDLINE/PubMed, Portal de Periódicos CAPES e UpToDate, incluindo artigos originais, estudos de caso e revisões sistemáticas publicados preferencialmente na última década. A seleção observará critérios de pertinência temática e qualidade metodológica, contemplando tanto os determinantes do uso quanto os desfechos neurodesenvolvimentais descritos; os dados extraídos serão organizados e tratados descritivamente com auxílio dos softwares MS-Excel e IBM SPSS, versão 21, respeitando-se os princípios éticos da pesquisa quanto à atribuição correta das fontes e ao uso responsável das informações. Entre os resultados esperados, antecipa-se a caracterização dos fatores associados ao uso dessas substâncias, entre os quais a pressão estética, a baixa autoestima e a busca por resultados imediatos figuram como os mais recorrentes na literatura nacional. Espera-se, ainda, sistematizar evidências pré-clínicas de que a exposição a anabolizantes interfere na neurogênese e na densidade neuronal de estruturas encefálicas, como os núcleos da base, mecanismo biologicamente plausível para alterações comportamentais duradouras. Estudos epidemiológicos sobre o uso parental de medicamentos e substâncias psicoativas e sua relação com o TEA, somados aos dados nacionais de vigilância de anomalias congênitas, fornecerão o contraponto populacional necessário. Ressalta-se, contudo, que o TEA possui etiologia multifatorial e forte componente genético, de modo que eventuais associações identificadas devem ser interpretadas como hipóteses a serem testadas em delineamentos analíticos, e não como relações causais estabelecidas. Conclui-se que a revisão poderá contribuir para o mapeamento das lacunas existentes, subsidiar ações educativas voltadas à saúde reprodutiva e orientar futuras investigações, com desenho de coorte ou caso-controle, sobre os efeitos transgeracionais dos esteroides anabolizantes.
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