DETERMINANTES DA FALHA DE IMPLANTAÇÃO NA ENDOMETRIOSE: REVISÃO SISTEMÁTICA DA MORFOCINÉTICA EMBRIONÁRIA E RECEPTIVIDADE UTERINA EM CICLOS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i11.31344Palavras-chave:
Endometriose, Fertilização in vitro, Monitoramento por Time-Lapse, Taxa de ImplantaçãoResumo
Objetivo: Sintetizar as evidências científicas sobre como a endometriose compromete o sucesso reprodutivo, analisando os atrasos nos marcos de desenvolvimento embrionário (morfocinética), a redução das taxas de implantação em ciclos de fertilização in vitro (FIV) e a influência de fatores sistêmicos, como a qualidade do sono e a receptividade endometrial. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA e MOOSE, utilizando a estratégia PECO para a formulação da questão de pesquisa. Foram incluídos estudos observacionais publicados entre 2016 e 2023, após busca nas bases de dados especificadas na metodologia. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada por meio da Escala de Newcastle-Ottawa (NOS). Resultados: Foram selecionados 9 estudos de alta qualidade, totalizando uma amostra superior a 1.100 mulheres com endometriose e 2.300 controles. A análise morfocinética via time-lapse revelou que embriões de pacientes com a patologia exibem atrasos cronológicos significativos em marcos cruciais, como a extrusão do segundo corpo polar (tPB2), clivagens intermediárias (t5 a t8) e a progressão para blastocisto expandido, que foi cerca de 2 horas superior no grupo exposto. Observou-se também uma taxa de multinucleação elevada (50,0% vs. 44,5% no controle). Embora as taxas de fertilização e nascidos vivos em ciclos autólogos tenham permanecido comparáveis, houve uma redução estatisticamente relevante na taxa de implantação (OR 0,85; IC 95%: 0,74–0,97) e na taxa de nascidos vivos em modelos de doação de óvulos (OR 0,89), sugerindo um comprometimento da receptividade endometrial. Adicionalmente, identificou-se uma deterioração severa na qualidade do sono nessas pacientes (PSQI médio de 10,6 vs. 7,1; p < 0,001), correlacionada à dor pélvica crônica. Conclusão: A endometriose exerce um impacto deletério e multifatorial na função reprodutiva, fundamentado em uma tríplice falha que envolve a competência embrionária, a receptividade uterina e a homeostase sistêmica. Os resultados reforçam a necessidade de protocolos de Reprodução Assistida personalizados e de um manejo clínico multidisciplinar que integre estratégias de higiene do sono e controle da dor para otimizar os desfechos gestacionais.
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