REMODELAMENTO DO VENTRÍCULO DIREITO NA TETRALOGIA DE FALLOT CORRIGIDA: MECANISMOS, MÉTODOS DE AVALIAÇÃO E IMPLICAÇÕES PROGNÓSTICAS
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.30622Palavras-chave:
Tetralogia de Fallot, Remodelamento ventricular, Ressonância magnética cardíaca, Strain, Fibrose miocárdica, Morte súbita cardíacaResumo
A Tetralogia de Fallot (TOF) é a cardiopatia congênita cianótica mais comum, e os avanços cirúrgicos permitiram que a maioria dos pacientes alcançasse a vida adulta. Entretanto, a correção anatômica não elimina o risco cardiovascular tardio: a regurgitação pulmonar crônica, frequentemente decorrente do uso de patch transanular, impõe sobrecarga de volume ao ventrículo direito (VD) e desencadeia um processo dinâmico de remodelamento caracterizado por dilatação, alteração geométrica, disfunção sistólica e diastólica progressiva, interação ventricular anômala e formação de substrato arritmogênico. Este artigo tem como objetivo revisar, de forma narrativa, os mecanismos fisiopatológicos do remodelamento do VD na TOF corrigida, os principais métodos de avaliação por imagem — ecocardiografia com análise de strain e ressonância magnética cardíaca (RMC) com mapeamento de T1 e realce tardio pelo gadolínio — e suas implicações prognósticas relacionadas a arritmias ventriculares e risco de morte súbita cardíaca. A revisão aponta que parâmetros volumétricos isolados, como o volume diastólico final do VD, têm valor preditivo limitado quando usados de forma isolada, e que medidas de deformação miocárdica (strain longitudinal global e da parede livre do VD) e de fibrose miocárdica (extracellular volume — ECV, T1 nativo e realce tardio) agregam valor prognóstico incremental. Conclui-se que a estratificação de risco contemporânea deve integrar dados volumétricos, funcionais, de deformação e de fibrose, associados a parâmetros eletrofisiológicos, para orientar de forma mais precisa o momento ideal de substituição da valva pulmonar e reduzir o risco de eventos arrítmicos e morte súbita nessa população crescente de adultos com cardiopatia congênita.
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