INTEGRAÇÃO ENTRE SEGURANÇA PÚBLICA E SAÚDE NO ATENDIMENTO A PESSOAS EM SURTO PSICÓTICO: ESTUDO DE CASO DO 2º BATALHÃO DE MISSÕES ESPECIAIS EM SANTARÉM-PA.
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i9.30160Palavras-chave:
Polícia Militar. Saúde Mental. Surto Psicótico. Segurança Pública. Santarém-PA.Resumo
O aumento das ocorrências envolvendo pessoas em surto psicótico tem ampliado a necessidade de atuação integrada entre os serviços de saúde e segurança pública, principalmente em situações que envolvem risco à integridade física da pessoa em crise, dos profissionais e da comunidade. Apesar da crescente participação da Polícia Militar em ocorrências envolvendo pessoas em sofrimento psíquico, ainda são escassos estudos que analisem como ocorre essa atuação no contexto amazônico e quais desafios operacionais permeiam a integração entre segurança pública e saúde. Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a atuação do 2º Batalhão de Missões Especiais (2º BME) da Polícia Militar do Estado do Pará no atendimento de pessoas em surto psicótico no município de Santarém-PA, identificando os principais desafios operacionais, as estratégias de intervenção adotadas e as possibilidades de aperfeiçoamento da atuação interinstitucional com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida por meio de estudo de caso, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental de registros institucionais referentes ao período de 2022 a 2026 e entrevistas semiestruturadas realizadas com 36 profissionais, sendo 14 policiais militares e 22 integrantes do SAMU. Os resultados apontam que as ocorrências envolvendo pessoas em sofrimento psíquico apresentam complexidade operacional, exigindo atuação integrada entre saúde e segurança pública. Observou-se que a verbalização, a mediação e a avaliação contínua do risco constituem as principais estratégias empregadas pelas equipes, enquanto a contenção física e o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo são adotados apenas em situações de risco iminente. Conclui-se que o atendimento às crises psicóticas demanda respostas intersetoriais, nas quais a atuação policial possui caráter complementar às ações de saúde, sendo fundamental o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial, o aperfeiçoamento dos protocolos conjuntos e a capacitação continuada dos profissionais para promover intervenções mais seguras, humanizadas e alinhadas à preservação da vida e aos direitos das pessoas em sofrimento psíquico.
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